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domingo, 23 de agosto de 2015

Maior Abandonado...

Quando meus olhos te fitaram já não me pertenciam, eu perdera tudo aquilo que me era mais caro, naquele momento, entrei no mundo da  tirânica heteronomia;
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Você se apossou do meu corpo tão voluptuosamente que o gozo me escorreu por entre os dedos, nem saberia dizer se era paixão ou um simples flerte, não obstante senti uma dor lancinante e tão pavorosa que perdi o domínio de sentir a mim mesmo;
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Não encontrei lugar onde pudesse me esconder de sua sanha desmedida, do seu desejo despudorado; da sua vontade de me assassinar;
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Fui envolvido em silêncio profundo, em sono desprovido de sonhos e imagens, um vazio absoluto se estabeleceu ao meu redor;
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O medo já não fazia parte do meu universo, entrei sem perceber no nada, e o nada passou a ser o meu tudo;
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Dor não era um substantivo abstrato, mas, ainda que todo o meu corpo a reverberasse, eu nada sentia, eu já era insensível a tudo;
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Quando me tornei um zumbi ao penetrar no seu mundo, minha consciência escorrera pelo ralo, perdi a possibilidade de ver a luz com meus próprios olhos;
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Deixei de lado tudo o que era meu, penetrei num vazio profundo e avassalador, onde não havia nem sombras, nem nada, só meu corpo e o seu;
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Estaria morto ou vivo por permitir seu mais completo domínio sobre mim? Sei que estar contigo não significava estar no paraíso;
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Entretanto, seu abandono por não mais me desejar em seus braços, em suas entranhas, por mais contraditório que possa parecer, iluminou os meus olhos;
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Saiba, porém, que deixar de me querer, não me fez te odiar ou desejar sua destruição, nunca te amei, mas também é provável que você nunca me amou;
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Mas saiba que ser abandonado por você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, dizem que homem não chora, mas naquele dia chorei...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eras apenas um sonho...

Acordei pensando em teus olhos belos e intensos como os diamantes!
Sim,  delirei sonhando com tua presença tão arrebatadora!
Parecia tão real que quase toquei em teus cabelos, gritei teu nome, beijei tua boca! 
Tu, sempre enigmática, sorriste, mas não me disseste nada!
Tua blusa entreaberta mostrava (ou terá sido o meu desejo?) 
teus seios desnudos, os mais lindos que sob meus olhos já passaram!
Pequenos, tão extrordinários como a cor dos teus olhos, e pensar que tu os querias maiores!
Uma vontade incontrolável de te tocar, mas, não sei bem qual a razão, 
talvez por minha excessiva timidez, fui deixando para depois!
Agora, não sei se já estou acordado ou se ainda durmo!
Sim, porque o cheiro que emana da tua pele é tão intenso que continuo bêbedo!
 É como se estivesses aqui na cama comigo transpirando intimidade! 
Vejo o brilho intenso dos teus olhos como naquela foto que eu gostava tanto, mas nunca me deste!
Não, não é verdade, Morfeu já se foi e tu partiste sem olhar para trás, 
como naquela noite, em que me disseste adeus, tu lembras? 

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Alumbramento...

Naquela noite, a menina virou-se para mim e disse: "Mano, isso sim é que é plenitude!" O "isso" a que ela se referia nada mais era que a imagem do céu tomado por miríades de estrelas, iluminando a noite de lua nova! Sim, não havia dúvida que aquele "isso", da menina dos olhos cor de avelã, deslumbraria até o mais insensível dos seres! Um verdadeiro encantamento sobre/sob os nossos olhos, era simplesmente lindo o espetáculo que a natureza nos proporcionava: o namoro celeste/estelar entre beijos e abraços libidinosos,  ante nossas vistas, sem pudor algum!
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Nesta noite, passados tantos anos em que a menina se encantara com o namoro do céu com as estrelas, acordei na madrugada e da janela sem cortinas do meu quarto, contemplei o manto recobrindo o firmamento, e, por estranho capricho da natureza, eis que aquele espetáculo reaparece impactando, novamente, minhas pobres retinas cansadas, eram milhões de estrelas a namorar com o céu generoso, deixando meus olhos embriagados diante de tanta beleza, lágrimas teimavam em se mostrar sem que percebesse, chorava como uma criança e ME sentia um privilegiado por estar VIVO e não ter perdido a capacidade de me emocionar... 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Paradoxo...

Quando você se apossou de mim, nem sei em que canto do mundo me escondi...
Não lembro de nada do que fizemos, sei apenas que se fez um silêncio profundo, também sei que nada havia para temer, pois no nada eu me encontrava, dor não mais havia, embora dores atrozes se manifestassem pelo meu corpo inteiro...
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Quando você se apossou de mim, perdi toda a consciência, perdi toda a fortuna que amealhei durante toda a minha vida, deixei de me pertencer, penetrei no vazio absoluto, sem sonhos, sem nada, só você e eu...
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Quando você se apossou de mim, não sabia se estava vivo ou se morrera, embora estar em seus braços não fosse estar no NIRVANA...
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Porém quando você me abandonou, quando não mais me quis em suas entranhas, uma réstia de luz apareceu sob os meus olhos; quero que saiba que não te odiei pelo que me fez VIVER, mas também não te amei, só não sabia que SE alguém como você me ABANDONASSE me faria tão bem...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

As pessoas não fotografam quando estão tristes...

Por isso, não gosto dos sorrisos dos álbuns de fotografias, porque neles os sorrisos não são sorrisos; nem o sorriso da criança é sorriso nos álbuns dos seus pais; não há um só sorriso no seu álbum que seja sorriso, todos os sorrisos dos álbuns são falsos, mas tentam mostrar que são sorrisos, as pessoas não fotografam quando estão tristes, mas quando não estão, forçam sorrisos forçados para mostrar que estão felizes, por isso, as fotografias são todas infelizes, pois não há sorrisos nas fotografias, mas apenas fotografias de sorrisos falsos, nas fotografias, nem os sorrisos das crianças são sinceros...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sangues de pacto...

Quando tua voz, pela vez primeira, se encontrou com minha membrana timpânica (não era a minha que querias ouvir), não imaginei que isso me faria frágil como um pescador frente a um tsunami! No momento precioso em que as ondas dos teus olhos se arremeteram furiosamente sobre pupilas minhas indefesas, um turbilhão de desejos inconfessáveis afundaram meu corpo, mas houve apenas um leve roçar de lábios! Tragado pela volúpia dos teus "olhos de gueixa", meu coração disparou e meu sangue em chamas quis desesperadamente encontrar o teu! "Fura o dedo faz um pacto comigo", tu repetiras o que Adriana já dissera; concordei e, em grandes ondas, lágrimas transbordaram de ti, sequiosamente bebi as águas da menina-dos-olhos, olhos de menina, cor de avelã, e sob o luar se espraiando sobre o manto desnudo do céu embebido de estrelas, casamo-nos...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Desvirginizar...

Ricocheteando os tímpanos, antes que o sono venha, silvos do ar no choque com as folhas das árvores atemorizam os moradores, sons surdos se assemelham aos enunciados por entes fantasmagóricos que povoam os pesadelos dos púberes meninos espavoridos. Lá no firmamento, a lua soberba meio encoberta pelas nuvens concede insuficiente luminosidade e presencia os altos brados da virgem noite, o vento devasso rasga-a violentamente rompendo-lhe o hímen como um amante desajeitado no  coito primeiro tirando-lhe das entranhas gritos lancinantes...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Para aprender a beijar...



Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.

Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.

Júlio Cortázar

Uma associação dos "versos" de Cortázar com Diego Hipólito não terá sido mera coincidência...

domingo, 21 de março de 2010

Traduzir-se...

Traduzir o que nos reservam sons e imagens impressos nas palavras não se resume ao ordinário deslizar dos olhos nas superfícies onde estas desavergonhosamente copulam, parindo sentidos e significados! O ato de ler, na busca por elucidar o que está às claras, o que está oculto, o não dito, o que foi silenciado, aproxima-se daquilo que faz o artesão, é como esculpir a  pedra bruta que pouco a pouco se transforma em diamante, deslumbrando ao simples olhar! O primeiro encontro provoca desconforto, insegurança, são veredas nunca antes transitadas. Há um certo mal-estar que desestrutura e desequilibra e se traduz na metáfora do equilibrista e seu passeio na linha entre dois penhascos! No segundo, é possível que haja alguma réstia de luz, o terreno torna-se menos árido, menos escarpado, menos áspero, mais aprazível; no terceiro, seus olhos faiscam com o deslumbre do acaso, da revelação...a partir desse ponto, é pura fascinação, vai-se descobrindo nuances e nuances nunca antes percebidas, o mais estranho é que tudo estava bem ali sob os nossos olhos... 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Para terminar...


É preciso que se diga alguma coisa sobre o ano que está acabando, não é mesmo? Afinal, não seria de bom-tom fechá-lo sem ao menos enviar um "cartão de boas-festas" para os conhecidos mais diletos! Neste momento, milhares de milhões estão se preparando para o grand finale: a queima de fogos mágica que anuncia um ano novo! Que ele não seja pretérito, seja GERUNDIO! Já estamos em contagem regressiva para o fim de 2009 que, como todos os outros, teve de tudo um pouco neste Brasil de Brasília! Estamos em balanço. Agradecendo pelas realizações, revendo planos, esquecendo, ou renovando, os que ficaram pelo caminho. Daqui a pouco, algumas pessoas estarão se perguntando: "com que roupa que eu vou?" De branco como manda a tradição ou com a cor dos meus desejos? Estaremos nos perguntando: quais os sonhos devem ser sonhados?! Qual a melhor "simpatia" para a ocasião? Qual deve ser a cor da peça íntima para que tenhamos sorte no amor? Uma coisa é certa: temos que acreditar que será diferente, porque se assim não for, para que sonhar um sonho?! Mais uma maratona  estará começando com as badaladas que anunciam a meia-noite! Como esse é um "cartão de boas-festas", ele terá o tamanho infinito da sensibilidade de Justina Sponchiado, uma amiga muito querida, que traduziu a beleza da fraternidade com o poema Saber Viver de Cora Coralina:                        
Não sei... Se a vida é curta


Ou longa demais pra nós,



Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre

Olhar que acaricia,

Desejo que sacia,

Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.


Pessoas, espero que o "fim do túnel sejam nossos olhos brilhando"...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sobre os Olhos...


Olhos são como diamantes: quando descobertos iluminam tudo o que tocam! Há que se pensar como Édipo, é preciso decifrá-los para não sermos devorados! Mas qual o problema se formos devorados? Por que não sumir na imensidão daquelas retinas?! E o que dizer   à mulher dos seus sonhos? "Dona dos meus olhos é você." A poesia se insinua entre os rochedos e arrecifes, no mar dos olhos todos os portos são seguros, mas navegar não é preciso! Verdes, azuis, castanhos, cinzas, negros, não importa a cor que foram pintados, por olhos encantadores somos atraídos, facilmente fisgados como peixes num aquário! "No dia em que fui mais feliz, eu vi um avião se espelhar no seu olhar até sumir." As metáforas atacam as metonímias, copulam com as aliterações, seduzem os oxímoros..."os olhos chumbados pelo mingau das almas." São as reverberações de Adriana! Ah, os olhos dessa musa são umA Fabrica do Poema!
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Inteligência, beleza e sensibilidade são qualidades de olhos suntuosos! Do alto da sua  sabedoria, menoscabou o poetinha: "que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental"; no que retrucou esse humilde escriba: "não, fundamental é o cintilar do olhar", porque  "luz dos olhos para anoitecer, é só você se afastar." Neste caso, falar dos olhos não é cair no lugar-comum? Dirão os insensíveis, são sempre os mesmos substantivos, adjetivos: cor, luminosos, transcendentes, brilhantes, fascinantes, porém, e neste caso, por que brigar com o lugar-comum se "os meus olhos vibram ao te ver"? Por isso, "estranho seria se eu não me apaixonasse por você", pela réstia que vem do seu olhar...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Castiga-me infinitamente...*

Essa foi a frase que ela disse instantes antes do encontro extraordinário entre aqueles dois "corpos estranhos"! Cada sílaba pronunciada por ela estava carregada de luxúria, desvario, lascívia, busca do acme do ato sexual; naquele momento, a excitação invadira todos os pelos e poros do corpo dele, uma sedução muito mais que arrebatadora, verdadeiramente alucinante! Neste instante, ele a queria com intemperança! E para o bem dele, ela também o queria com toda agudeza que aquelas sílabas anunciavam! Na verdade, desejavam-se e por isso tornaram-se amantes pela eternidade! Queriam se possuir pela infinitude das noites vindouras! Ironicamente, ecoara o som de palavras em ouvidos moucos, mas ainda assim, aqueles ouvidos, como que por milagre, ouviam excitados o som daquelas palavras que não cansavam de pedir: "Castiga-me infinitamente!"
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Estranhamente, aqueles sons foram pronunciados em outra língua, não, não era a língua dele, ela se expressava em magiar! Então, como fora possível afirmar que essa era a precisa tradução na língua dele? Quanto a isso, o poeta já dissera que navegar é que era preciso! Ah, que elemento estranho é o corpo! Mesmo sem falar aquela língua, entendia facilmente a língua que o outro corpo exprimia e na língua do corpo, as palavras repercutiam carregadas de desejos, gostos, carícias, brutos amores, doces suores, orgasmos infindos; alguém poderia traduzir com palavras o êxtase que aqueles corpos exalavam? Essa era a indagação que o poeta se fizera, chegando à conclusão que a verdadeira poesia desabava por dentro, era como um livro, cuja essência nada mais é que o contato íntimo entre dois amantes arrebatados!...

*Inspirado em cena do filme Budapeste de Walter Carvalho que se referenciou no livro homônimo de Chico Buarque de Holanda

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Um poema interrompido...

Acordei e ao meu lado nada mais nada menos que Ela, sim, minha musa inspiradora, a mulher dos meus sonhos, impregnando de luminosidade a penumbra do meu quarto, devorando-me! Quase que imediatamente os desejos se ampliaram ao infinito com aquela silhueta estonteante! Não tinha a menor idéia como isso fora acontecer! Estranho, justamente porque já fazia algum tempo que não a via! Por isso, perguntava-me como era possível tê-la, naquele instante, inteiramente entregue às minhas carícias mais ousadas, oh, que delícia, ali, tudo era permitido e, o que era mais gostoso, sem pudor algum! Seria mais um dos meus delírios? Aquilo realmente estava acontecendo ou era apenas um sonho? Será que era o resultado da bebida da noite anterior? Mas, espera aí, ela nem bebia e nem gostava de bêbados, o que descartava a hipótese da embriaguez, na realidade, não poderia ter ingerido qualquer tipo de bebida, pois não havia nenhun sinal de ressaca. Não restava dúvida que, à minha frente, havia um caso raro de se explicar, pois, pelo que bem sabia, já havíamos terminado aquela relação há bastante tempo! Não, não existia nenhuma possibilidade de termos reatado, não havia mais clima para isso, porém ali estava Ela e, o que era melhor, completamente nua! Fitei seus olhos e percebi que havia algo indecente naquele olhar, cercado por uma luminosidade só encontrada na beleza cristalina dos diamantes, era impossível não se deslumbrar com aquela raridade! Minha paixão por olhos emergiu, para mim, o primeiro impulso surge a partir desse lugar mágico que transborda luz, desejo, necessidade, vontade, naquele momento: sexo! E aqui no caso, os olhos Dela eram o meu fascínio! A voz soava como algo mágico bem no fundo dos meus ouvidos! Os cabelos numa cor que não consigo definir, constrastando com a pele aveludada, coberta por pelos quase invisíveis que me excitavam sobremaneira! Não pude resistir à chama e volúpia tão intensas e me deixei levar por aquele turbilhão, ah, nossos corpos transcenderam aos limites do prazer! Prazer vivido sob a luz dos olhos dela, olhos que são tão lindos como o luar que corta as pedras que circundam a cidade de Jequié...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Inverno...

Se o mês é Junho, os dias são curtos e as noites são longas, apressa-te, então, agasalha-te porque o inverno chegou, embora, na canção era o Estio quem chegava! Perdão, Marina, por inseri-la nesta conversa, tão fria quanto nossos corações invernosos! Não, não fomos enganados! O tempo é que é outro, assim como a estação! Que tal uma provocação, para "esquentar" o inverno? Acredito que não teria graça nenhuma se ela não nos cortejasse e, cínica, não nos roubasse um beijo cálido! Reconheço o fato que alguns não conseguem entender o seu significado, desconhecem o quão ela é importante para o desequilíbrio, para a aprendizagem! Ah, como é ruim para aqueles que sabem, descobrirem-se na mesma condição do filósofo, contudo às avessas! Sim, porque ele sabia que sabia! Mas deixa para lá, o mundo também é dos tolos! Um velho cantor popular disse numa velha canção que "queria ter um milhão de amigos"! Não, não quero um milhão de amigos, quero ter uns poucos, mas amigos! aprendemos a mensurar tudo, medimos até o quanto somos humanos, tornamo-nos seres invernais! Na realidade, fico-me perguntando se existe calor humano ou isso não passa de mais uma categoria de análise!? Não, chega, basta de amigos "orkutianos"! Se Goethe, vivo fosse, diria: "luz, quero luz" e iluminaria a metáfora!
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Como o frio inverno, vamos realizando nossas atividades comezinhas, aceitando "amigos", afinal, somos seres sociais, mas sequer dizemos "oi"! Telas e telinhas brilham, faíscam diante de nossas retinas cansadas, desculpa-me, Drumond! Nossos olhos, quase sem brilho, lêem e reenviam os e-mails, nossos dedos escrevem os scraps. Sim, são ações puramente mecânicas, sequer as sentimos, somos verdadeiros autômatos, que pensam?! O curioso é que nos disseram que o progresso traria, mais cedo ou mais tarde, a opulência! Transformamo-nos em seres antropofágicos, vivemos para nos devorarmos, uns aos outros, nas competições cotidianas, onde todos são concorrentes potenciais, inimigos! Claro que alguns doutos percebem, sentem-se sensibilizados com o frio das nossas almas, contudo, no frigir dos ovos, fazem tal e qual o mais ignóbil dos seres! O horror de tudo isso é que nos disseram que as tecnologias foram feitas para diminuir as distâncias! É verdade, estamos cada vez mais perto dos teclados, monitores, mouses e demais periféricos! Triste certeza, tornamo-nos seres periféricos, vazios, mas com um "milhão" de amigos no Orkut...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Corpos II

Na imensidão pós-moderna
Concreto e ferro: simulacro
Corpos, corpos, corpos que calam!
Corpo pensando, corpo falando, corpo silenciando...
Corpo que toca um instrumento...
Corpo que canta
Corpo silente.
Corpos, corpos, corpos que fumam
corpo tenso, corpo reprimido, corpo sábio,
Corpo que sabe que não sabe!
Corpos, corpos, corpos que partem, que vão!
Corpo isolado, corpo que se isola e
Corpos que isolam corpos
São corpos arrebentados!
AONDE andam nossos corpos?
Que corpo sóis vós?

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Melancolia

Há dias que nada tem graça, que tudo está cinza, lusco-fusco....corremos para algum canto lá no fundo da sala, mas não resolve, continuamos com aquele sentimento de tristeza que não se apaga, por mais que façamos força! Arre! Que fazer em momentos como este? Sair correndo até se exaurir? Conversar com o maior número possível de pessoas? O que resolve? Como voltar a respirar tal e qual o fazemos normalmente? Quando estou assim, sempre me vem à cabeça a frase do Torquato Neto quando se suicidou: "pra mim chega!"

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Pablo Neruda ao lado de Allende...


Livros foram/são escritos para que as pessoas os leiam!Isso é óbvio, diriam os mais apressados! Na verdade, existem coisas que estão à frente dos nossos olhos e não as vemos de tão óbvias que são! O filósofo Roberto Gomes disse certa vez que quem menos percebe a água é o peixe! O gol da França na copa, ilusta bem essa questão! Depois de todas as repetições, chegou-se a conclusão que Zidane levantaria a bola naquele espaço, naquela altura e que o Henry apareceria, naquele lugar, naquele fatídico momento! Óbvio. O livro foi/é a maior invenção humana! Em suas páginas somos levados a criar, imaginar,descobrir, revolucionar, enfim, nos libertamos das amarras do cotidiano.François Truffaut tem um filme chamado "Fahrenheit 451" que discute de forma muito sagaz a complexidade que é o ato de ler. No filme, um Estado Totalitário resolve queimar todos os livros,revistas sob o argumento de que: "fazem as pessoas infelizes e improdutivas". Ironicamente, são os bombeiros os responsáveis pela queima dos livros. Aliás, já observaram como todas as vezes que se quer impedir o acesso ao conhecimento, a prática mais comum é essa? Óbvio! A igreja se utilizou desse artifício, Hitler foi outro...o medo deles tem alguma razão, haja vista que é através da poesia que o carteiro quer chegar ao coração da sua amada no filme " O Carteiro e o Poeta" Quando Pablo Neruda ganhou o Nobel de Literatura disse:A verdade é que todo escritor deste planeta chamado terra quer alcançar alguma vez o Prêmio Nobel, inclusive os que não o dizem e também os que o negam"! Óbvio! Todo escritor que ser lido, óbvio! Hoje ao tentar organizar os livros na estante, (re)encontrei "Para Nascer Nasci";lembrei-me de imediato que foi um presente, olhei a data e percebi que, não sei bem qual a razão, não terminei a leitura. O presente era para ser lido,óbvio! Portanto, depois do hiato de anos,retomo à leitura, não sem antes, deixar o primeiro poema do livro, ei-lo...
- Mulher Remota -

Esta mulher cabe em minhas mãos. É branca e ruiva, e em minhas mãos a levaria como uma cesta de magnólias.
Esta mulher cabe em meus olhos.Envolvem-na os meus olhares, meus olhares que nada vêem quando a envolvem.
Esta mulher cabe em meus desejos. desnuda está sob a anelante labareda de minha vida e o meu desejo queima-a como uma brasa.
Porém, mulher remota, minhas mãos, meus olhos e meus desejos guardam inteira para ti a sua carícia porque só tu, mulher remota, só tu cabes em meu coração.