domingo, 23 de agosto de 2015

Maior Abandonado...

Quando meus olhos te fitaram já não me pertenciam, eu perdera tudo aquilo que me era mais caro, naquele momento, entrei no mundo da  tirânica heteronomia;
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Você se apossou do meu corpo tão voluptuosamente que o gozo me escorreu por entre os dedos, nem saberia dizer se era paixão ou um simples flerte, não obstante senti uma dor lancinante e tão pavorosa que perdi o domínio de sentir a mim mesmo;
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Não encontrei lugar onde pudesse me esconder de sua sanha desmedida, do seu desejo despudorado; da sua vontade de me assassinar;
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Fui envolvido em silêncio profundo, em sono desprovido de sonhos e imagens, um vazio absoluto se estabeleceu ao meu redor;
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O medo já não fazia parte do meu universo, entrei sem perceber no nada, e o nada passou a ser o meu tudo;
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Dor não era um substantivo abstrato, mas, ainda que todo o meu corpo a reverberasse, eu nada sentia, eu já era insensível a tudo;
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Quando me tornei um zumbi ao penetrar no seu mundo, minha consciência escorrera pelo ralo, perdi a possibilidade de ver a luz com meus próprios olhos;
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Deixei de lado tudo o que era meu, penetrei num vazio profundo e avassalador, onde não havia nem sombras, nem nada, só meu corpo e o seu;
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Estaria morto ou vivo por permitir seu mais completo domínio sobre mim? Sei que estar contigo não significava estar no paraíso;
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Entretanto, seu abandono por não mais me desejar em seus braços, em suas entranhas, por mais contraditório que possa parecer, iluminou os meus olhos;
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Saiba, porém, que deixar de me querer, não me fez te odiar ou desejar sua destruição, nunca te amei, mas também é provável que você nunca me amou;
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Mas saiba que ser abandonado por você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, dizem que homem não chora, mas naquele dia chorei...

3 comentários:

Aline Machado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aline Machado disse...

Gente, que bárbaro. “Você se apossou do meu corpo tão voluptuosamente que o gozo me escorreu por entre os dedos”... queria saber escrever, descrever assim. Adorei!!

Manoel Gomes disse...

Obrigado, parente querida!