quarta-feira, 7 de maio de 2008

Q. I. de Baiano...

Nem ia me manifestar sobre a polêmica do q.i. levantada pelo professor de medicina da ufba; tentar justificar certas bobagens, só as valorizam mais ainda. No entanto, parece que sua fala (nem vou citar seu nome para não valorizar ainda mais esse nazista) mexeu com os brios de alguns amigos e solidários; ouvi coisa do tipo: "você soube o que falaram sobre nosso Q.I.? Até o Jô Soares, do alto da sua mediocridade, levou uma baiana, meio folclórica, questionando o fato. Começou o programa citando baianos ilustres para dizer, e nos convencer, que também estava indignado com tamanha iniquidade. Um amigo, que não é baiano, disse-me que tenho escrito muito em torno do conteúdo midiático, ele tem certa razão, embora entenda que os temas abordados não pertencem a ela, mas tamanha é sua força, que até das nossas conversas mais comezinhas tem se apropriado! Tudo isso para fazer um intróito sobre o tal do Q.I., essa discussão gerou tanta raiva entre os baianos que uma amiga, muito querida, afirmou que se tivesse um título de doutor ou mestre processaria o tal sujeito!
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O fato é que vivemos em pleno século XXI, sei que isso é óbvio, mas pensamos como se estivéssemos no século XIX. Como sou professor, a grande maioria dos meus camaradas são professores e eles sabem que essa coisa de q.i. é tão preconceituosa quanto a questão da cor da pele, da mulher, da homossexualidade! Quem trabalha com formação de professores sabe muito bem que não é possível medir inteligência! Não existem instrumentos que mensurem o quanto o indivíduo é inteligente ou não, sem que não se caia no preconceito! E tem mais: sem que se valorize esse ou aquele conhecimento! Digo isso porque é óbvio que quem vai medir, mede a partir do que uma casta de sábios estabeleçe! Um exemplo? Quem sabe mais sobre as questões relativas à lei da relatividade? Se o teste de medição de
q.i. usar esse conhecimento como referência é claro que Einstein terá uma pontuação altíssima! Agora pegue o mesmo sujeito faça questões relativas às artes, nestas é muito provável que ele zere e Picasso tenha uma pontuação fabulosa! A pergunta pode ser: por que pegar cadáveres para fazer a analogia? Por que não sujeitos vivos para que se possa ter uma idéia mais precisa?
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Tudo bem, basta dar uma olhada nas fotos das pessoas que emolduram essa conversa, todas baianas, todas são brilhantes (para fugir desse negócio de quociente de inteligência), que foram ou são muito, mas muito boas naquilo que fazem ou fizeram! As poesias de Castro Alves, as interpretações de Maria Bethania, as composições de Caetano Veloso, os livros de João Ubaldo Ribeiro, as atuações do grande jurista Ruy Barbosa e todos aqueles que não são tão "famosos", mas são geniais! Quem é mais inteligente Gilberto Gil ou Castro Alves? Se comparados teremos "medidas" fora de contexto! Por que tantos ficaram aborrecidos quando o "sábio" afirmou que os estudantes de medicina da ufba tinham um Q.I. baixo? Na verdade, muitos ficaram aborrecidos porque ele fez o que o senso comum costuma fazer ou, usando de uma linguagem científica, os que usam a indução como referência! A partir de um caso se generaliza para o todo! Ele tendo a medicina como referência chamou todos os baianos de imbecis, não com essa palavra, mas pôs em xeque a competência dos baianos! Foi preconceituoso duas vezes! Primeiro com os estudantes de medicina, já que pelos assuntos ou assuntos usados não se tem nenhum instrumento para afirmar o que ele disse. Vamos imaginar que a pergunta, bem terra a terra, fosse: onde se localiza o fêmur? Mesmo que o estudante errasse, como provar que o q.i., ou seja lá o que eles usem, é baixo ou alto? Ou o exemplo infeliz usando o berimbau? A segunda, quando a partir daquele caso da ufba generalizou para todos os baianos e aí tudo o que eu disse lá atrás serve como argumento. Se é difícil medir a inteligência de uns poucos imaginem de um povo inteiro!
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Todas as vezes que se quer enfatizar a questão do preconceito, sobre a idéia de seres superiores uns aos outros,
Hitler e sua megalomania servem como exemplo, afinal, ele queria provar que o alemão era o protótipo do ser humano, é neste momento, que se usa Jesse Owens, aquele corredor negro, como contraponto. A tristeza maior é que estamos cercados de fascistas, eles estão ao nosso redor e, às vezes, nem os notamos, porque não se manifestam abertamente, são uns dissimulados, uns farsantes! Em alguns momentos, caem em contradição e dizem: "e não é que aquele ali, mesmo sendo baiano, pernambucano, paraibano é inteligente?" Quantos estudantes de Educação Física, considerados inteligentes, já não ouviram: "você poderia fazer direito, medicina ou outro curso de "ponta"? Quantos desses estudantes não foram considerados de "q.i." baixo porque disseram que faziam esse curso? Temos muitos "Hitlers dissimulados, entre nós, pensando com a mesma lógica daquele professor da ufba, o que não podemos esquecer é que somos responsáveis pela formação de inúmeras crianças e adolescentes que frequentam as escolas públicas e não podemos, em hipótese alguma, repetir, sub-repticiamente, o que o fascista da ufba fez, ele não representa perigo, o perigo é fazer o mesmo e sair por aí matando, no nascedouro, os sonhos e desejos de conhecimento de um número infinito de crianças baianas, sergipanas, cearenses, cariocas, paranaenses, portuguesas, africanas...por considerá-las com o "Q.I." baixo...

6 comentários:

Anônimo disse...

Pitombo, Gomes parabens, como sempre você é brilhante!
Gomes, já ouvi dizer que a palavra "orgulho" é um sentimento ruim, porém ela(orgulho) se encaixa nesse comentario. Graça que eu tive o prazer de construir e desconstruir o conhecimento junto de ti.

Se tem um lado bom da globalização, é essa, de continuar aprendendo, mesmo em uma distancia grande, e ausentes de corpo fisico, porem com o cognitivo ativo.

Camarada organizamos um forum sobre cidadania e educação, foi espetacular, sentimos a sua falta, para representar o curso de educação fisico.

Infelismente, parabens pelo titulo. eca...

abraço, de um aluno e que lhe considera um amigo

Manoel Gomes disse...

Meu camarada Pitombo, antes de mais nada, obrigado pelo reconhecimento do título do grande time baiano, aliás, não tem outro, não é? Existe uma ficha de inscrição se quiser podemos apreciar seu desejo dse vir a ser torcedor do Grande Vitória...já disse para você que sentiria falta da sala de aula, das "brigas", dos amigos que vamos fazendo ao longo do caminho, em julho estarei por aí, espero que possamos tomar umas "brahminhas",rs...obrigado, meu camarada!

wager matias disse...

Prof. existe Q.I. Não é porque você não precisou que ele não existe,rsrs. Agora têm que medir para ver qual Estado que possui o maior.Alguma indicação? Rsrs, abraço e saudades.

E ao seu colega que escreveu prefiro dizer que a globalização possui o lado "sedutor" ao invés de bom.

Manoel Gomes disse...

Professor Wagner, o senhor está cada vez mais "abusado"...eu sei que o senhor deve ter uma indicação do Estado com maior Q.I. e não está querendo se comprometer,rs,rsrs...

monica disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
monica disse...

EI MEU CAPITÃO! QUERO DIZER Q SOU BAIANA E "ARRETADA". DESEJARIA MUITO CONHECER O TAL NAZISTA, SÓ PRA TESTAR O Q.I DELE QUANTO AO BOM SENSO E AO RESPEITO À CULTURA DE UM POVO, SEM DÚVIDA, O TAL TERIA UM Q.I BAIXÍSSIMO, À ALTURA DE SEU TRISTE COMENTÁRIO, PRA AQUÉM DE MEDÍOCRE.

GRANDE ABRAÇO MESTRE!