sábado, 26 de abril de 2008

Brasil, mostra sua cara...

"Não haverá país como este!" Esta frase traz um tom de elogio, porque insinua um lugar de belezas extraordinárias, mas se olharmos atentamente para o que vem acontecendo por aqui, talvez não seja exatamente esse o sentido! Não sei qual o motivo, mas acordei achando que a utopia está cada vez mais afastada e que acreditar no sonho de outra perspectiva de mundo pode ser uma insanidade! Hoje, em sã consciência, ninguém é capaz de dizer se o melhor é ser íntegro e honesto ou se o mundo pertence aos ladinos, espertos, malandros e velhacos! Na atual conjuntura, quiçá a melhor sugestão seja a segunda, o que não deixa de ser um insulto se dito por um professor! As atuais circunstâncias mostram que quem segue a vereda da primeira assertiva estará sendo educado para viver na "ilha da fantasia". Não, isso não é um jogo de palavras, basta observar o currículo da maioria dos parlamentares que se dizem democratas, grande parte pertencia à ARENA, partido da situação na DITADURA MILITAR! O assassinato de uma criança se torna um show de vampiros em horário nobre! Que país é esse!?
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Uma colega de trabalho ao chegar em sua casa, depois de um dia inteiro e cansativo de trabalho, na cidade de Jequié, interior da Bahia, se deparou com um "bilhete" ameaçador, anunciando que, caso ela não entregasse um determinado valor, em determinado lugar, seria estuprada e morta! Entrou em desespero e ligou imediatamente para amigos próximos que se apressaram em ir a sua casa. Um deles com a preocupação de não "estragar" a prova da ameça, guardou-a em plástico evitando tocar para não tirar as impressões digitais do autor da ameaça! Grande tolo! O policial que os recebeu foi taxativo: aquilo não representava nada, apenas "papel" sujo. A polícia só se mobilizaria a partir de provas reais e que nós estávamos assistindo muito filme policial, além do que minha amiga não estava no universo de pessoas importantes! Fiquei pensando, para ter as provas que a polícia queria era preciso que a ameaça se concretizasse, mas aí já não teria sentido, que país é esse!?
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Um lavrador, lá do Pará, ingenuamente, denunciou madeireiros para o Ibama, acreditando que estava fazendo a coisa certa! Dera uma entrevista à TV dizendo que vira, inclusive, um assassinato de outro trabalhador rural, praticado por madeireiros. Na entrevista, afirmou que corria risco de morte, já que as denúncias logo chegavam ao conhecimento dos madeireiros, o que na linguagem popular quer dizer que "as paredes têm ouvidos"! O representante do Ibama negou incisivamente que isso tenha acontecido! As paredes tinham ouvidos, sim, e como tinham, a ameaça se concretizou e o lavrador foi morto com três tiros, no dia 24 de abril de 2008. Naquela região isso não é incomum, haja vista o caso da Irmã Dorothy Stang, que também teve sua vida ceifada por pistoleiros, em Anapu! Por que a polícia não se mobilizou para dar garantias ao lavrador? Eles não tinham "provas"! A televisão dedicou uns segundos à notícia, concluindo a matéria com a irmã do assassinado clamando por justiça, coisa que os cidadãos sem face podem pedir, se serão atendidos, aí são outros quinhentos. Que país é esse?
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Voltemos ao caso do assassinato da menina Izabella, cometido, como todos já sabem, pelos próprios parentes, uma família paulista de advogados. Há quase um mês, a todo momento, somos bombardeados com dados sobre o caso, Há quase um mês! Neste final de semana, teremos uma "simulação" do que aconteceu, para isso, além de fechar o tráfego nas proximidades do Edifício onde ocorreu o crime, o espaço aéreo também será fechado, para que os ruídos das aeronaves não atrapalhem a "performance dos atores"! Os dois casos anteriores mostram que as investigações acontecem a partir de uma lógica de distinção dos agentes sociais envolvidos. Existem cidadãos que não têm "perdigree"! A mídia, que no caso do lavrador devia ser responsabilizada, já que em nenhum momento, omitiu-lhe o rosto, muito pelo contrário, escancarou-o para que todos pudessem ver, inclusive os assassinos, sabe que a vida do cidadão, lá do Pará, não tem o mesmo apelo comercial que o da família da classe média paulistana! A pesquisa de mercado já deve ter provado que a miséria exposta na TV baixa o IBOPE, fazendo até os miseráveis mudarem de canal! Que país é esse...

2 comentários:

Lusimary disse...

Tive a mesma impressão a respeito do assassinato do agricultor no Pará e, ao ouvir o apelo da irmã da vítima, dona Nena foi taxativa: "Não adianta pedir, ninguém vai fazer nada! São todos pobres, ninguém ouve!!"
Infelizmente...

Manuela Cassia Silveira disse...

Um país que sua juventude não luta, não tem ideais; Um país onde tudo é permissivo, onde os oprimidos não tem vez; Um país amordaçado pelas correias dos imperialistas; Um país de um povo sem voz, e o que mais me assusta, um país onde a sua maioria, nem pensa sobre sua situação, onde o determinismo impera e acham que nada poderá ser feito. Não direi infelizmente, direi que o sistema que impera no nosso país só irá cair, se quem acredita, não abrir mão da prerrogativa do sonho, e crer que a revolução é possível sim. Crer que não estamos fadados a viver desse jeito...