quarta-feira, 21 de março de 2007

Conversa de Baiano













Uma paulista desembarca em Salvador (Mary, este é para você, viu?) primeira experiência, tadinha! Mas como não queria "pagar mico", estudou quais eram os princípios básicos que trilharia para não ser confundida com o turista típico! Estabeleceu como estratégia que iria para um lugar com grande concentração de baiano e assim perceber mais facilmente o linguajar da terra de Gregório de Matos, dito e feito! Pensou, lá com os botões dela, que talvez o Mercado Modelo fosse o local ideal para a apreensão do "idioma"! Tomou um humilhante, turista que se preza se mistura com os nativos, claro depois de consultar seu "guia" de viagem! Saltou na porta do Elevador Lacerda, seguiu em direção ao mercado. Diversas barracas chamaram-lhe a atenção, mas percebeu logo que ali não conseguiria o que queria, aquilo ali era uma verdadeira Babel, cuja quantidade de "sutaques" superava o mito bíblico, claro que nenhum baiano, já que nós não temos! Começou a pensar e chegou a conclusão, após verificar seu "guia", que onde se encontrava bastava pegar uma condução que poderia aportar na Feira de São Joaquim, foi o que ela fez, compreendeu, de saída, que agora fizera a escolha certa, ali havia um formigueiro, era dia de sexta-feira! Logo na entrada ouviu: "lá na casa da porra", virou-se e recebeu essa: "o cara está embucetado" e mais estas: "sabia que era ele pelo 'desaparta-puta'", "é ninhua", "deixe a segunda para mim". Vixe Maria! Ficou atônita! Contudo deu sorte, pois perto dali, dois sujeitos conversavam, imediatamente ligou o gravador e foi exatamente isso que ela ouviu: *"Certa feita, saí cedinho de casa pra um falapau na casa do meu primo carnal Muriçoca, lá no fim de linha do Pau Miúdo. Tava o maior auê no ponto de ônibus. Gente como a porra, uma renca de menino oferecendo geladinho, um esmolér cheio do pau abusando todo mundo, vendendor de rolete gritando feito a porra e os garotos vendendo menorzinho no quente-frio colorido. De junto de mim, um cabo-verde todo enfatiotado passava a patapata na cabeça, enquanto defronte, a filha da baiana do acarajé, uma menina cheia de pano branco, mastigava um pão donzelo. Eu já tava ficando retado, porque já fazia uma hora de relógio que a zorra do humilhante não passava. Aí a arabaca chegou cheia como quê. tive que entrar a pulso, mas pra tomar uma eu faço qualquer coisa, e na paleta é que não ia". A paulista dos tempos que estava confusa, fizera tudo certo, mas parecia que estava em outro país! "Virado na porra", quirica, traseirar, tampa de binga, tá de boi, sair de casa, rumar, romper o ano, rame-rame, ôxe, mabaça, fique, viu? Nossa! Porém como tudo no final acaba bem...foi salva pois encontrou em uma banca de revista o Nivaldo Lariú e aí comeu com coentro! É, o Brasil é o lugar dos lugares, o único lugar que "falamos" igual é no jornal da tv, que faz da Rosana Jatobá pessoa de lugar nenhum, que porra é essa?



*retirado do Dicionário de Baianês, de Nivaldo Lariú que autografou os exemplares de quem vos falou e da "heroína" dessa história!

2 comentários:

Mary disse...

"Aff!"! Que bom que tenho o dicionário! Senão, iria "comer barro". Com ele, demorou um pouco, mas acabei - enfim - "comendo com coentro" (aghh)!
"Porra, velho", o texto está "porreta"! Quando for a Salvador creio que vou à Feira de São Joaquim para testar minha proficiência em "baianês".
E espero um dia poder recebê-lo em Curitiba para que você possa conhecer o jeitinho de falar daqui, totalmente desprovido de "sutaque", assim como Rosana Jatobá... rs. Te amo, beijos

wager matias disse...

Concordo plenamente Mary. Ainda bem q temos este dicionário,rsss.Esses baianos.