sábado, 8 de setembro de 2007

Tinha uma kombi no caminho...

Não estou fazendo nenhum "comercial" do veículo, mas ao tomar conhecimento que a Kombi estava fazendo 50 anos, quase que imediatamente me veio à memória cenas de um "filme" muito antigo, porém jamais esquecido! Esse veículo, que muitos chamam de "perua", (coitada, que apelido infeliz!) foi personagem de um acidente que me deixou algumas perebas e um trauma presente cada vez que atravesso uma via de grande e/ou pequena circulação de automóveis! Não vou dizer que ela é minha Julieta, mas que vivemos um drama à Shakespeare, não tenho nenhuma dúvida!
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Quando criança morei ora com minha mãe, ora com meu pai! Na verdade, pode-se dividir essa "caminhada" em quatro fases bem distintas! A primeira, a família, enquanto uma instituição, ainda existia; a segunda, a separação dos pais, muito ruim para um garoto de apenas 4 anos, embora não saiba se a separação houvesse acontecido mais tarde os efeitos fossem menos dolorosos; a terceira se caracteriza como uma fuga da casa paterna para ir morar com a mãe, uma manhã de domingo para não ser esquecida jamais; por fim, a morada com o pai, no início da puberdade até a entrada na idade adulta. Você pode estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com a Kombi! Para que falar desse "vale de lágrimas"! Não há aí a intenção quase descarada de comover, mexer com seus sentimentos mais nobres, meu caro e oculto leitor? Não seria uma intenção velada de aumentar o número de acessos, fazendo graça?
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Se você está acompanhando com a devida atenção, meu oculto e culto interlocutor, deve ter percebido que logo no início avisei que a Kombi tinha me deixado algumas marcas indeléveis e perebas já cicatrizadas! Pode ser que tenha achado que era brincadeira da minha parte, mas saiba que não! Quem anda comigo sabe que tenho verdadeiro pavor de semáforo. Só atravesso uma rua se tiver 100% de certeza que não serei atropelado! Às vezes, a pessoa já está do outro lado da rua e eu ainda esperando o melhor momento! Se não vi a mudança do sinal e ele está verde para mim, aí é que não atravesso, não sou louco! Saiba, meu caro e desavisado leitor, que o trânsito mata e muito nas grandes e pequenas cidades! As causas variam desde a falta de atenção até chegar no sujeito que não sabe o que é beber com moderação! Nas pequenas cidades e também nas grandes muita, mas muita, gente "dirige" sem habilitação! Aliás, prezado camarada, diga-me uma coisa, se saem quatro pessoas para a balada e as quatro bebem com moderação quem é que deve dirigir na volta para casa?
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Vamos acabar logo com essa história que já está mais longa do que devia! Na realidade, acho que se não fosse criado ora na casa da mãe, ora na casa do pai, dificilmente estaria me deslocando em ruas de grandes movimentações sozinho! Filhos criados como fui, tendem a ficar auto-suficientes muito cedo. Tendem a queimar etapas, por conta da criação mais "liberada", recorrentemente, calculam muito mal os riscos! A aprendizagem acontece muito com os erros, com a empiria das ruas! Na minha infância, em Salvador, a Kombi era um veiculo de transporte de passageiros regulamentado e padronizado! Talvez para facilitar a visualização tinha a cor laranja muito intensa, via-se a sua aproximação a distância, contudo, por ironia do destino, só vi essa cor berrante quando ela já estava quase em cima de mim, tentei correr o mais rápido que pude, mas não deu! Ela me pegou de jeito! Rapaz, vi estrelas e mais estrelas em pleno dia! É claro que no final tudo acabou bem, caso contrário, não estaria contando essa história. Uma coisa aprendi, embora da maneira mais dolorosa possível: quem pára veículo não é o sinal de trânsito e sim os freios...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Falando sobre o AVC...

Descobri que a maneira mais simples de me livrar dos meus "fantasmas" em relação ao AVC, não é outra senão falar dele, desmistificá-lo, em outras palavras, colocá-lo para fora! Funciona como catarse! Como foi uma experiência das mais dolorosas, a "lembrança" do acidente vascular cerebral é algo que me incomoda, já que me fragilizou, mas, ao mesmo tempo, e essa é a ironia, alivia-me. Quando o tema é assunto de conversa, explico que, afora aqueles chatos que por não perceberem nenhuma sequela aparente, ficavam me perguntando repetidamente se eu estava bem, foi muito bom ter sobrevivido, e o que é melhor, sem nenhuma sequela! O fato é que o avc é uma doença das mais "democráticas", atinge a todos quase que indistintamente, embora medidas de prevenção estejam ao alcance de quase todos! Sim, pois comer frutas, verduras e legumes, evitar alimentos com gordura saturada, ter acesso à saúde decente, entre outras coisas, é um direito de todos, mas não para inúmeros brasileiros que (sobre)vivem na periferia do "sistema", no desemprego, na pobreza, esse direito não passa de letra morta!
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Quem está prestes a ser acometido por um acidente vascular cerebral pressente uma fraqueza ou dormência na face, braços ou nas pernas, geralmente afetando apenas um dos lados do corpo. Tem dificuldade de articular as palavras ou compreender o que se diz. Tem uma dificuldade súbita e transitória de enxergar com um dos ou ambos os olhos. Sente uma dificuldade de caminhar, tontura, perda do equilíbrio ou da coordenação, dor de cabeça repentina e intensa sem nenhuma causa conhecida. Por tudo isso, a velocidade no atendimento é algo fundamental para que os danos sejam minimizados ou eliminados, mesmo porque, nos dois tipos de AVC, tanto o hemorrágico como o isquêmico, quanto mais cedo for possibilitado o acesso de nutrientes às áreas atingidas, maiores são as chances de o indivíduo sobreviver! Segundo dados da Academia Brasileira de Neurologia, o AVC é a segunda causa de morte mais comum em todo o planeta, logo atrás da doença cardíaca! Todos os anos, a quantidade de pessoas atingidas no mundo gira em torno de 15 milhões. Destes, 5 milhões perecem, outros 5 milhões sofrem danos duradouros, às vezes, irreversíveis, trazendo para si e suas famílias sofrimento e dor! Neste jogo perverso, fiquei entre aqueles cinco milhões que escapam, quase que incólumes. A verdade é que existem algumas "neuras" que é preciso superar para que se possa voltar à "normalidade", talvez a mais comum seja, superar o medo de dormir! Por tudo isso, embora tenha colocado de forma organizada os sintomas que precedem um AVC, não lembro absolutamente nada do dia e nem dos seis posteriores ao acontecimento!
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Quando realmente tive consciência de que estava em um hospital, perguntei imediatamente o que estava fazendo ali, mal sabia eu que já fizera essa pergunta uma quantidade absurda de vezes! E a resposta que me foi oferecida ecoou como uma bomba nos meus ouvidos: "você teve um AVC"! Agora tinha plena consciência que tivera um "derrame". A imagem que construíra fora sempre aquela em que a pessoa possui dificuldade motora, de fala, labios tortos, problemas de memória e mais alguns outros assustadores! Pois é, foram seis dias na mais absoluta escuridão, três dos quais na UTI! Era a minha páscoa e ver a luz outra vez foi algo que não existem palavras que possam traduzir o sentimento de euforia, foi delicioso saber que estava vivo, mesmo naquele momento tendo uma das pernas totalmente paralisada! Quão estranhos somos nós os humanos! Queremos viver ardentemente, mas essa percepção se torna muito mais aguda quando estamos sob risco de morte! Passados dois anos, totalmente restabelecido e encorajado por ter atravessado rio tão tortuoso, ganhei alguns amigos, perdi outros, é verdade, outros se foram, alguns outros se reaproximaram, porém o mais importante de tudo isso é ter percebido que cada segundo da nossa existência é para ser vivido intensamente, não como um piloto de Formúla 1, mas com toda a sabedoria da tartaruga...

domingo, 2 de setembro de 2007

Professores e Mercenários...

Em uma conversa informal, um estudante de forma incisiva afirmou que os professores eram mercenários, isso porque fizeram greve apenas por salários e no fundo estava "feliz" por ver que nenhuma das reivindicações foram atendidas! Em relação ao movimento docente, quando das suas "nobres" pautas, é comum colocar entre as suas reivindicações coisas que fazem parte das obrigações essenciais do empregador, sob o risco da realização do trabalho ficar comprometida caso eles não as cumpram! Exemplos? Mais salas de aula, ampliação de vagas, mais cursos, contratação de pessoal, entre outras obviedades! No modo de produção capitalista, cabe ao trabalhador lutar pela diminuição, quiçá exterminação, da exploração da sua força de trabalho, quem tem que promover condições para que ele aconteça é o patrão que cobra a produção e explora o trabalho! É isso mesmo, a condição sine qua non para que a categoria docente possa estar desenvolvendo de forma satisfatória suas funções é ter um salário digno que não paire à indecência que temos hoje, quanto às outras reivindicações é pura perfumaria!
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A greve é o instrumento de luta do trabalhador, chamá-lo de mercenário por cobrar pelo seu trabalho é de uma perversidade sem par, sem contar que o Estado termina colocando os estudantes contra os professores, alegando que o movimento paredista vai atrasar suas formaturas! Todas as vezes que os docentes entram em greve, seja quem for que esteja à frente do Estado Capitalista, o corte dos salários é a arma usada pelos governos para quebrar o movimento docente e fazê-lo retornar às salas de aula! Falando da última, estive à beira de um ataque de nervos no que se refere ao pagamento das contas, nunca vi, os credores aparecem todos no mesmo momento, por estranha ironia, a greve é ótima para os banqueiros que ganham, e muito, às custas dos docentes com seus juros escorchantes quando estes batem às suas portas! Com todo o constrangimento que tive que passar, desde a cobrança sutil de aluguel até ficar quase com zero tostão no bolso, ainda assim, se hoje houvesse uma assembléia, cujo objetivo fosse a decretação ou não da greve, saibam que votaria, sem pestanejar, a favor, porque quando eu não mais tenha direito de me indignar, não tenha mais nenhuma chance de dizer não ao não, aí sim, sei que estarei morto!
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Em relação ao sentimento de indignação, é só olhar para todos os lados e veremos que querem nos fazer crer que é melhor calar, existe uma frase que acho extremamente fascista que diz: "tanto barulho por nada", que no fundo nos impele à aceitação das maiores atrocidades com o silêncio. Estava numa clínica. Fora fazer um Hemograma. Uma mulher também queria! Não sei se o mesmo que eu! Contudo, a atendente descobrira que o documento que ela usara para ter acesso ao atendimento não lhe pertencia! Fora descoberta sua fraude e a atendente falava como se fora a proprietária do laboratório! Era "nós precisamos averiguar", "não podemos atender até que consigamos provar"! Em síntese, não foi permitido à "fraudadora" fazer os exames! Pensei cá comigo, se a saúde não fosse uma mercadoria, se a todos fosse permitido o acesso à saúde, era até possível que acreditasse nestes movimentos de solidariedade que acontecem sempre, os tais "Dê um cobertor a quem tem frio", dentre outros! Na verdade, essas ações não passam de hipocrisia! Enquanto damos cobertores a quem tem frio, quem tem frio não precisa apenas de cobertores, tem mais elementos nesta equação que, descaradamente, ficam sublimados em meio a tão belas frases de efeito! Os miseráveis em todas as estações precisam de algo para continuar vivendo sob a caridade e a benevolência das boas ações! Voltemos à questão inicial: quem é que é mercenário: o professor que entra em greve na briga por salários mais decentes ou aqueles que fazem da miséria seu negócio vendendo saúde em suas quitandas?...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Profissões...

Um especialista em formação profissional falava na TV Câmara e eu tentava compreender seus argumentos! Era uma dessas muitas comissões que pululam na Câmara dos Deputados. Dizia ele que há um desperdício na oferta de sujeitos com nível superior no Brasil. A oferta de cursos como Medicina e Enfermagem é absurda! Em relação ao número de Escolas de Direito, superamos muitos países cuja economia são muito mais fortes que a nossa! A exposição trazia muitos, mas muitos gráficos repletos de percentuais para cada uma das profissões que mais atraem às pessoas! Desses percentuais, não sei explicar o motivo, um me atraiu deveras por achar demasiado grandioso. Em meio a todas aquelas profissões, a engenharia trazia um percentual assombroso: apenas 35% dos engenheiros formados no Brasil, dizia o especialista, estão trabalhando na sua área de atuação! Quase que de imediato uma dúvida me acorreu: onde será que trabalham os "engenheiros " do Brasil?!
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Trazendo para a nossa seara, existem na Educação Física diversas subdivisões que não se intercomunicam! Uma aponta para os estudos voltados para a área da Educação; outra, com os estudos do Lazer, uma terceira vai gravitar na área da Atividade Física e Promoção da Saúde e há, ainda, aquela que vai trabalhar apenas com o esporte! Já houve tempo em que todos pensavam em ter uma academia de ginástica! Era lugar comum, os indivíduos ou queriam ter ou trabalhar nesse espaço de atuação profissional. Uma estudante recém ingressa perguntara se o curso que ela havia sido aprovada lhe garantiria um emprego num desses espaços; obteve como resposta que nenhuma profissão poderia garantir isso, nenhuma! Aborrecida, abandonou o curso, foi tentar outra coisa! As pessoas entram na universidade com a imagem que lhes é apresentada pelo mercado, são altamente estimuladas: seja isso, faça aquilo! Afinal, sob a égide do capitalismo "querer é poder"! Com o número de Escolas de Educação Física no Brasil, é bem provável que estejamos beirando ao percentual dos engenheiros, quiçá maior! Para se ter uma idéia, havia na Bahia até 1988, ano de de ingresso da primeira turma da Universidade Federal da Bahia, apenas um curso, o da Universidade Católica do Salvador. Hoje, no Estado, temos mais de vinte cursos, ou seja, um curso foi se "estruturando" a cada ano nos últimos vinte anos; uma pergunta pode ser feita neste momento: para onde estão indo os professores formados por todos esses cursos?!
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Quem já não ouviu pais conversando e não percebeu o orgulho quando falam o que o filho está fazendo Medicina ou Direito? Mesmo que o curso seja lá no Sul do mundo, há uma euforia desmedida!Quando comecei a trabalhar em uma escola de Jequié, em 1999, uma dúvida atroz me acompanhava. Sempre quisera saber para onde iam todos aqueles jovens que saíam do ensino médio a cada ano, já que grande parte deles, ou seja, a sua grande maioria, não conseguia entrar na universidade? O jovem acaba subempregado!
Com as especializações sugeridas pela divisão social do trabalho e também pela "anarquia" do modo de produção capitalista, termina-se produzindo e elaborando coisas que tenham valor de troca em detrimento ao valor de uso. O fato é que já é perceptível que muitas profissões estão totalmente saturadas, é o caso do Direito. Embora dizendo outra coisa, a Ordem resolveu dificultar a vida dos recém-formados! O que não deixa de ser curioso! O sujeito se forma se perder a seleção da ordem, é advogado, mas não é advogado, não é paradoxal? O dito é que há muitos cursos de direito sem qualidade. É bem provável que seja assim, mas mesmo que todos fossem muito bons, ainda assim, não haveria espaço para tantos rábulas! Essa "Seleção Natural" do Direito, logo, logo, vai chegar àquelas profissões que sofrem do mesmo mal, isto é, têm grande impacto social, mas economicamente já não rendem tanto como rendiam, caso da Medicina, Arquitetura, Engenharia, entre outras, contudo a cada ano esses profissionais são despejados aos montes no mercado, infelizmente, para eles, já não têm mais o valor de troca que tinham...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

"Pesquisadores"...

Final de semestre acadêmico é sempre tão igual, qualquer mudança entre um e outro é quase imperceptível! Vem sempre acompanhado de um acúmulo brutal de tarefas, tanto para alguns professores, como para a grande maioria dos estudantes! É um corre-corre sem fim. É um "digitar" de trabalhos para fins avaliativos incomensurável! Sei que, de forma perversa, tenho chamado essa "geração" de "control C\control V", faço a mea culpa, mas que um sem-número deles usam desse artifício, isso é fato! Rio de forma solitária quando recebo um trabalho e percebo que o "copiar/colar" não foi sequer lido pelo "autor"! Esse processo, às vezes, é tão grosseiro que se assemelha àqueles trabalhos mal feitos do tempo do antigo segundo grau! O computador acabou com a "pesquisa" feita diretamente dos livros, com ela os "autores" chegavam a ficar com calos nos dedos, porém com o avanço tecnológico, o que era extremamente dolorido, hoje sequer ajuda a coordenação motora fina dos "pesquisadores"!
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Não sejamos tão duros a ponto de culpabilizar apenas aos estudantes pela "pesquisa" mal ajambrada da web, se isso pode ser chamado de "mal da preguiça", no outro extremo estão os seus "mestres", estes fazem o que é conhecido nos corredores como "migué". Verdadeiros "gênios" da pesquisa cobram os trabalhos e avaliam pela cara do estudante e quantidade de páginas. Houve um caso curioso que ilustra muito bem esse círculo vicioso! Um estudante que teimava que sabia como construir um problema de pesquisa. Mostrava-lhe que havia umas incoerências na sua elaboração, mas ele não aceitava, afinal determinada professora lhe dissera que ele sabia como fazer, o professor o perseguia com certeza! Para resolver o "problema", foi preciso procurar a tal professora para saber como fora a caminhada dele sob sua direção. Para encurtar a conversa, o projeto de pesquisa que era parte da avaliação jamais, em tempo algum, fora lido! Casos como esse se repetem à exaustão!
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As monografias de final de curso, também conhecidas como TCC, estão se tornando um verdadeiro cancro, justamente por causa dos já citados "control c/control v"! Mas o descalabro não pára por aí, há também as "empresas" que elaboram qualquer "pesquisa" por um precinho bem camarada! O curioso neste fato é que esse não é um fenômeno local. Remi Hess* afirma que já se defrontou com pessoas que lhe pediam para escrever suas teses e olha que essas já deixaram a graduação há muito tempo! É bem possível que todo mundo concorde que escrever não é tarefa fácil. Sabe-se que para que a escrita aconteça, sua irmã siamesa, a leitura, tem que estar presente, ou seja, sem leitura a escrita é uma equação cuja incógnita não tem solução!
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É neste contexto que aparece a figura do orientador, aquele que vai ajudar o neófito na elaboração da sua monografia! Para uns coisa fácil e tranquila, para outros sofrimento constante que só termina quando a monografia é apresentada! Há orientandos que são chamados de borboletas, aqueles que basta uma leve brisa para que alcem seus vôos até as estrelas, mas existe a contrapartida: os elefantes. Esses paquidermes dificultam seu próprio processo porque não ouvem, não pensam, além de pesados são surdos! Quando o final de semestre coincide com essas defesas e elas são determinantes para a formatura, sai de baixo, porque é confusão na certa! Começam as ameaças veladas, do tipo: "só não formo se você não quiser"! Orientei um sujeito que seu trabalho não andava, parecia cachorro correndo atrás da própria cauda! Estando no auge da irritação o cara me perguntou: "o que não está bom"? É neste momento que o orientando vira seu próprio orientador! Não há explicação que o convença que o trabalho está frágil, sem sustentação metodológica. O orientador é exigente demais, uma monografia não é uma tese de doutorado; Fomos à defesa, cujo resultado foi sua reprovação! Quem foi o culpado? O orientador! Disse certa feita que escrever era como parir, embora nunca tenha feito tal ato, mas uma orientanda confirmou a tese, afirmando: "eu que já tive dois lhe digo: é muito pior!" Um doutorando ameaçou matar seu orientador caso não o levasse à defesa. O orientandor era Remi Hess, o lugar: a França! O que se percebe é que no ambiente acadêmico, aqui ou em alhures, a pesquisa estimula a vaidade e faz com que muitos medíocres pensem que são gênios...
*HESS, Remi. Produzir sua obra: o momento da tese. Brasília: Liber Livro Editora, 2oo5.