segunda-feira, 4 de junho de 2007

O congresso "midiático" brasileiro...

As grandes corporações midiáticas vêm, insistentemente, dando ênfase à não renovação da RCTV - Rádio Caracas Televisión - o canal 2 venezuelano. Como não poderia deixar de ser, o argumento está sempre pautado na questão da democracia e da liberdade de imprensa! A empresa de comunicação da Venezuela foi cerceada no seu direito de informar e de existir, essa é a discussão tautológica! Contudo em relação à sua trajetória, nem sempre democrática, não nos esqueçamos do golpe de 2002 em que houve participação da emissora, o silêncio se manifesta. Em nenhum momento se diz que um canal de TV é uma concessão do Estado e que essa concessão pode não ser renovada, não há nenhum crime se a renovação não acontecer, vai depender dos critérios das telecomunicações de cada país, aqui no caso, a Venezuela. Por exemplo, algumas emissoras de televisão brasileiras bem que poderiam não ter sua concessão renovada por não cumprirem os princípios mínimos que cerca o tema, já que cerca de 40% delas apresentam irregularidades! Silêncio!
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Sabemos que, no Brasil, grande parte dos meios de comunicação está nas mãos de famílias e que muitas delas pertencem à classe política; é muito comum um deputado ou senador qualquer ter uma radio ou tv em uma cidadezinha qualquer, por menor que seja! Sabe-se que mais ou menos 30% dos membros atuais do senado são donos ou de uma família-que-é-dona de um meio de comunicação. Na realidade, essa relação torna-se promíscua porque sendo representante da sociedade, muitos desses políticos terminam legislando em causa própria, aí já ferindo o primeiro princípio da República: ser pública! Muitos parlamentares participam de comissões em que as deliberações das políticas de comunicação lhes beneficiam, já que são proprietários ou usando a linguagem técnica: possuem cotas! Só a título de exemplo, um terço dos senadores e mais de 10% dos deputados eleitos para o quadriênio 2007-2010 controlam rádios ou televisões. Entre os detentores diretos ou indiretos de concessões estão dois ex-presidentes, José Sarney (PMDB-AP) e Collor, e onze ex-governadores: Antonio Carlos Magalhães e César Borges (DEM-BA), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Mão Santa (PMDB-PI), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Jayme Campos (DEM-MT), Jorge Bornhausen (DEM-SC), José Maranhão (PMDB-PB), Edison Lobão e Roseana Sarney (PMDB-MA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Silêncio!
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Estranhamente, em uma das sessões do senado, vimos alguns oradores discursando sobre a saída do ar da RCTV - canal 2 - mostrando-se indignados com a atitude do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por entenderem-na como uma afronta à liberdade de imprensa e um ataque à democracia. A ira era tamanha pela ação do mandatário venezuelano que, solidários com a RCTV, aprovaram um requerimento pedindo a Hugo Chávez que autorizasse a RCTV a voltar a funcionar! O curioso é que entre os indignados estava um político maranhense muito conhecido, político cuja história está muito entranhada em empresas de mídia, a propósito, o referido senador pertence ao grupo que, no Maranhão, cobre 80% da radiodifusão do Estado, por outro lado, a Constituição Federal, em seu Artigo 34, não permite a pessoas em cargos eletivos firmar qualquer tipo de contrato com entidades de direito público, o percentual apresentado choca-se com o que diz o artigo 34, não? O artifíco utilizado por esse velho político para tornar isso possível é uma questão que o senado federal poderia responder! Silêncio!
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O presidente Hugo Chávez contra-atacou e chamou o congresso brasileiro de "papagaio que repete o que diz Washington"! E disse mais: "que era mais fácil os portugueses voltarem a colonizar o Brasil que ele revogar sua decisão em relação à RCTV!" Por estranha ironia, o senado arrogou-se o direito de pedir ao presidente que reavesse sua posição em relação à RCTV, mas chamar o congresso "midiático" de papagaio deixou os parlamentares consternados, magoados! O presidente do senado, Renan Calheiros, pediu respeito (sic) aos anos de vida da casa! O que vemos é o congresso brasileiro, cheio de donos de rádios e televisões, de novo legislar em causa própria ao defender, com o pedido, os grandes conglomerados de mídia e, ao mesmo tempo, se intrometer na legislação do país vizinho. Se é uma concessão, cabe ao Estado Venezuelano decidir se renova ou não, talvez se o congresso brasileiro não usasse dois pesos e duas medidas na questão das telecomunicações, muitas emissoras já teriam saído há muito do tempo do ar, mas, com o quadro apresentado, é muito mais negócio fazer tamanho alarido com o caso venezuelano tirando o foco de atenção da indecência que é a concessão da radiodifusão brasileira que alimenta uma política pública repressiva com conteúdo racista, especialmente contra crianças (consumismo) e mulheres (sexista), porém para essas questões, contraditoriamente, o congresso "midiático" brasileiro silencia...

terça-feira, 29 de maio de 2007

SUS - a discriminação "consentida"...

É comum no modo de produção capitalista, tudo vir a se transformar em mercadoria, afinal sem o lucro a empresa capitalista vai à bancarrota e aí só lhe resta fechar as portas! Se a lógica é essa, necessário se faz TER para poder adquirir os diversos produtos que nos são oferecidos. Há uma outra característica desse "sistema" que o torna peculiar. A falácia de que todos podem, querer é poder, somos estimulados, desenfreadamente, a consumir. Imaginem uma família cuja renda não ultrapassa os R$ 380,00 mensais ver na TV que aquele carro da "moda" custa apenas R$ 69,990,00 provavelmente seus membros devem ficar boquiabertos! Neste sentido, a saúde também é uma mercadoria negociável no mercado de ações, embora a Constituição Federal, no seu artigo 196, afirme que "a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação"; a grande questão é bem simples: como garantir o texto constitucional sem entrar em contradição com a lógica do sistema?
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Foi no sentido de alterar a situação de desigualdade na assistência à Saúde da população que o SUS - Sistema Único de Saúde foi criado. Todavia quem analisa sua estruturação formal, dirá de imediato que isso foi conseguido, que é perfeito, que temos o modelo ideal! O direito à saúde, ali, está assegurado de modo universal, infelizmente não é bem isso o que acontece, o que vemos é que há vários SUS dentro do SUS! Percebe-se que existe uma distância brutal entre o anunciado pelo ideal da constituição e o que vemos na realidade!
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Óbvio que se há vários "SUS" temos diversas formas de atendimento ao cidadão comum. Na realidade, percebemos três tipos básicos de "cidadãos", no que se refere ao acesso à saúde no Brasil! Os que podem pagar, esses não se preocupam com o tsunami, em última instância, Cleveland é o lugar em que vão cuidar do coração; os que pagam por si ou através de empregadores, neste caso, há as intempéries que limitam o atendimento em certas epócas, do tipo valor de consulta etc.; e os que têm no SUS sua única alternativa! Embora a constituição garanta "o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação", o que vemos no cotidiano é uma discriminação descarada e "consentida" àqueles que fazem uso do SUS por muitos prestadores privados de saúde.
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A lógica do mercado determina quem terá um serviço de qualidade; quem não lembra que se o governo não tivesse quebrado as patentes os usuários ficariam totalmente à mercê dos laboratórios americanos, isso é uma pequena mostra de que não importa o que o cidadão sofra, o importante é que ele possa pagar! As pessoas que utilizam o SUS, na sua grande maioria, são cidadãos de "terceira" categoria! Estão no nível daqueles que têm muito pouca força de intervenção política, embora sejam maioria, o número dos que fazem uso do SUS gira em torno de 130 milhões de almas, um "maioria" considerável, mas que infelizmente não "sabe" disso!
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Não podemos dizer que todas, pois seria leviano, mas a grande maioria das clínicas privadas tem convênio com o SUS, o que, em tese, indicaria uma ampliação nos espaços de atendimento para aqueles cidadãos que têm no serviço público sua única alternativa, entretanto o que temos são essas clínicas "reservando" em quais espaços de suas instalações esses cidadãos de "terceira" podem estar! Geralmente a entrada é na porta lateral e nos fundos, os móveis são "menos" confortáveis, um verdadeiro desacato! Aí já se caracteriza uma discriminação indecente! Mas para os de "segunda" categoria também têm alguns senões! Quando das "intempéries" e também pelas limitações de cobertura. Por exemplo, certo hospital aceita o plano, porém com certas limitações no que diz respeito ao quarto, café da manhã etc. Há uma clínica que atende em um espaço "popular", todavia naquele considerado "nobre", não!
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Se a discriminação é algo abjeto e inaceitável, por que, então, vemos a pessoa ser tratada, em certos espaços, com considerável desrespeito à sua dignidade, às vezes, até a sua integridade, e nada se faz para mudar o quadro, muito pelo contrário, aceita-se como "normal" o espaço diferenciado aos que usam o SUS, justamente porque sua renda não lhes permite outra alternativa; porque, bem lá no fundo, ao invés desses sujeitos sem renda compreenderem que têm direito àquele tratamento, recebem-no como um favor do Estado, um presente, sequer leram o que está posto na Constituição que, neste caso, nada mais é que letra morta, entretanto quando os usuários do SUS se "chocam" com os outros tipos de "cidadãos" a invisibilidade hipócrita esconde a discriminação tornando-a algo aceitável, algo consentido, totalmente normal dentro da lógica meritocrática do "sistema"...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

O "sotaque" carioca...

Um dos meus sonhos de menino era conhecer a cidade do Rio de Janeiro. Não sei se pela "semelhança" com Salvador ou se pelo fascínio que o mar da cidade exerce sobre as pessoas. Negar ninguém vai que o mar é emblemático nas duas cidades! Na realidade, o brilho dessas capitais, a luz que emanam têm nas águas seu sortilégio! Parafraseando Shakespeare, diria que há mais belezas entre o céu e a terra cariocas do que supõe a nossa vã filosofia! Foi minha filha, quando me visitou em fevereiro, que revigorou essas reminiscências ao dizer: "Pai, em junho, você tem duas opções para suas 'férias': ou vamos conhecer o Rio de Janeiro ou, como de costume, venho para o São João de Jequié". Não sei o porquê, mas escolhi a primeira opção!
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A proximidade da viagem tem me feito prestar mais atenção aos fatos que gravitam em torno da cidade. Tento "entender" a lógica e o "sotaque" cariocas. O que vemos na mídia, diariamente, desestimula qualquer viajante! Bala perdida, estilhaços, carros arrastados e ônibus queimados são imagens assustadoras! A "guerra civil" instaurada tem possibilidade de terminar ou o caos em que o Estado se encontra já não sinaliza qualquer chance de convivência para além da bárbarie? Grande parte dos responsáveis pela segurança da cidade demonstra certa fanfarronice nas suas declarações que, num primeiro olhar, parece que agudiza o confronto muito mais do que aponta qualquer alternativa de resolvê-lo.
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Sistematicamente, o governador Sérgio Cabral Filho, um dos fanfarrões, aponta saídas que demonstram que a guerra travada entre a força repressiva do Estado e os traficantes parece não ter fim. Quando da tragédia do garoto João Hélio, em fevereiro, e porque o ato tinha sido praticado por um menor, fez um discurso veemente, sugerindo, inclusive, que, como nos EUA, cada Estado tivesse sua própria legislação penal, que fosse reduzida de 18 para 16 anos a culpabilidade por crimes cometidos, quiçá a pena de morte, como se isso resolvesse a situação. Sob as luzes das câmeras televisivas, acordou uma ação conjunta de combate ao crime, ao tráfico de drogas e ao contrabando de armas com os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Quando da morte do policial militar que fazia sua segurança pessoal, manifestou a necessidade da presença das Forças Armadas e a participação mais efetiva da Força de Segurança Nacional!
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Quando assumiu, o governador prometia envidar esforços no sentido de atacar a questão da violência, do narcotráfico, do crime organizado de forma incisiva. Por ser aliado do governo federal, obteve o auxílio da Força de Segurança Nacional para ajudar a resolver o caso da segurança pública, neste sentido, para não repetir o que fizera sua antecessora que recusou repetidamente a colaboração, por questões outras que agora não vêm ao caso. O secretário de segurança pública, José Mariano Beltrame, ao argumentar sobre as ações de violência que ocorrem na cidade afirmou que "a configuração geográfica facilita esses núcleos de violência se instalarem. Se fosse uma cidade como Brasília, isso não aconteceria". No que diz respeito à questão das forças armadas fazendo o patrulhamento da cidade disse que "as Forças Armadas não são a solução para o problema da violência no Rio," contudo: "qualquer ajuda neste momento vai nos ajudar no curto prazo." O secretário afirma que para resolver o problema são necessárias medidas estruturais e valorização da polícia do Estado. Essas declarações nos provocam algumas questões. Se o Rio fosse Brasília o problema da segurança seria resolvido? As tais medidas estruturais se resumem a quê? Como valorizar a polícia do Rio de Janeiro, a questão é econômica, social...? Será que a situação do Rio de Janeiro é caso de polícia, de força de segurança, das forças armadas? Os seus muitos fanfarrões ainda não perceberam que de armas e munições o Estado já está cheio?
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Se a realidade carioca é tão nua, crua e perversa assim, ficamos imaginando se ainda é possível viver o sonho de menino, sob essa perspectiva de medo e temor extremos se interpondo entre os sonhos mais comezinhos. Shakespeare diz que: Por aqui não há nem bosques, nem arbustos, para a gente se resguardar do tempo, e já se anuncia nova tempestade... dizem que a força do hábito nos faz aceitar situações inimagináveis, o incomum passa a ser normal, vamos nos acomodando e aceitamos experiências das mais cruéis como normais por conta da nossa insensibilidade. A escravidão não foi uma elaboração metafísica, foram homens de carne osso que exterminaram outros tantos! Há uma poeta que escreveu, numa bela homenagem ao povo do Rio: ...cariocas nascem bambas, cariocas nascem craques, cariocas têm sotaque...O que Adriana Calcanhotto afirma na canção parece fazer parte de um Rio de Janeiro antigo, distante e inatingível. Os antigos cariocas eram alegres, atentos, dourados e espertos, enquanto os cariocas novos estão vivendo dias nublados, embora cariocas não gostem de dias assim...

quarta-feira, 23 de maio de 2007

João e Jadel...

Depois de mais de três décadas, caiu o recorde brasileiro e sul-americano do salto triplo de 17,89 m, que pertencia a João Carlos de Oliveira, estabelecido aos 21 anos, nos Jogos Pan-Americanos de1975, na Cidade do México. A longevidade do feito mostra que o dono da marca merecia melhor sorte, mas enquanto personagem da grande comédia esportiva representou seu papel, com estranha dignidade, até as últimas consequências. Sua história não difere muito da vivida por outros brasileiros pobres. Quando criança, tinha o sonho de se tornar jogador de futebol, enfrentou toda sorte de adversidade, muito comum a cidadãos que nascem com o estigma da pobreza; no início, foi ajudante de frentista em posto de gasolina; ingressou no Exército em 1969 e lá ficou por 14 anos, chegando a patente de sargento; entre os muitos desafios, conseguiu se impor ao Clube Pinheiros, de São Paulo, sendo o primeiro negro entre os seus atletas!
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Por outro lado, o paranaense Jadel Gregório também é de origem humilde; foi sorveteiro para sobreviver, até que um teste o levou a São Paulo, onde passou a treinar no Projeto Futuro, no Ibirapuera. No começo, sua prova era o salto em altura, mas, a conselho de dois técnicos, mudou para o salto triplo. Neste ínterim, por amor, se converteu a islamismo e passou a treinar na Inglaterra, a partir de dezembro de 2005, com Peter Stanley, ex-técnico do atual recordista mundial do salto triplo, Jonathan Edwards que já não compete mais, mas que tem a marca considerável de 18,29 m!
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O atletismo parece ser o esporte do pobre e, por consequência, dos negros, assim como grande parte das categorias do boxe; talvez não haja necessidade de se explicar a razão dessa preferência, por motivos óbvios. Enquanto esportes como a natação, o tênis, o iatismo e a equitação têm um público, ou classe, que pode comprar os caros equipamentos para a sua prática, no caso da natação ainda é preciso mão de obra especializada para a manutenção das piscinas, enquanto as modalidades do atletismo não exigem grandes investimentos! Em tese, a prática possibilita que a camada menos favorecida possa dele se apropriar. Para entender isso, não é preciso recorrer ao Teorema de Pitágoras e sair calculando os catetos nem a hipotenusa! É simples de se perceber, João e Jadel são exemplos concretos, pobres e pretos que encontraram no atletismo a válvula de escape para a ascensão social! João se tornou recordista mundial e deputado; Jadel se converteu ao islamismo, mudou de nome, casou e foi morar na Inglaterra!
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No grande "circo esportivo", a marca superada por Jadel Gregório, hoje com quase 27 anos, foi feita por João Carlos aos 21 anos! Os fisiologistas dizem que Jadel Gregório encontrou mais dificuldade por ter batido o recorde no nível do mar, enquanto João fez sua marca na altitude do México; O que ninguém disse é que em junho de 1990, portanto há 17 anos, o russo Vladimir Inozemtsev cravou a marca de 17,90 m; Somado a tudo isso, Jonathan Edwards estabeleceu a marca de 18,29 m, em agosto de 1995! Não se está dizendo que o feito de Jadel não seja importante, mas é necessário que se diga que dentro do quadro atual em que o salto triplo se encontra, a comemoração bem que poderia ser mais comedida, mais discreta; João trouxe algo novo quando saltou os 17,89 m, estabeleceu uma marca considerável, independentemente da altitude, ele não competiu sozinho. Com todo o desenvolvimento tecnológico, reparem que Jadel é uma montanha de músculos, enquanto que João era "ossos que voavam", sua marca só foi superada, por outro brasileiro, quase 32 anos depois...Mas talvez para amenizar o constrangimento do recorde batido, Jadel já anunciou que a próxima meta será bater os 18,29 m, que já duram 12 anos, para isso tem uma grande arma que é seu pé grande! O que ele não disse, mas subrepticiamente está dito, é que ele tem o técnico do dono do recorde, logo, usando o silogismo tão comum nestes casos, ele será o próximo; Hegel disse certa vez que todos os fatos e personagens de grande importância na história universal ocorrem duas vezes, no que Marx completou: "a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa". No "grande circo" que é o evento esportivo, perguntamos: "hoje tem espetáculo", responde o palhaço, "tem, sim, senhor!"

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Quanto aos erros, Monteiro Lobato tinha/tem razão!

Participei de defesas de monografia na universidade e em muitas aconteceram o que chamo de preguiça de leitura e falta de reflexão! Entendo que o papel de uma banca de defesa é estabelecer diálogo com o autor da pesquisa, mas, às vezes, ao invés de discutir o conteúdo, fica-se acenando para questões puramente técnicas, que não acrescentam nada e não vão à raiz do problema, assim, muitos dos participantes, ficam mais preocupados com "erros" de digitação do que com o trabalho em si, surgem, então, questões do tipo: "apud é com maiúscula", "citação direta com até três linhas é no corpo do texto", "O início de parágrafo deve obedecer 4 cm em relação à margem", "Entre parênteses, tudo fica em caixa alta". Essa é a tônica, enquanto a especificidade da investigação fica esquecida! Esses supostos "erros" poderiam, sem perda, ser encaminhados para que o autor a posteriori fizesse as possíveis "correções"!
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Quando criança, gostava de ouvir meu pai contar muitas das suas histórias, uma que não esqueço nunca, pelo seu humor, dizia respeito, justamente, à revisão de texto! Contava ele que na revisão do jornal, feita de madrugada, certo dia passou uma quantidade enorme de erros; para piorar a situação, um leitor não só percebeu como foi à redação mostrar; o dono do jornal mandou chamar imediatamente o responsável pela equipe de revisores. Aquilo não era possível, que absurdo! Constrangido com o fato, o chefe tomou uma decisão, no mínimo, extravagante, pediu a contratação imediata do referido leitor, porque a média de "erros" encontrada por ele superava em muito ao normal! Havia ali um revisor em potencial! O dono do jornal aquiesceu.
Para encurtar essa história, a primeira revisão de peso do suposto "revisor", trouxe na primeira página a manchete: "JOPONESES...". Quando ele viu aquilo, nem demissão pediu, foi saindo de fininho e nunca mais voltou...
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Escrevo para dizer que Monteiro Lobato tinha toda razão quando dizia o quanto era/é complicado o processo de revisão, há uma busca frenética pelos erros e como esses conseguem nos driblar...reproduzir o texto de Lobato é uma maneira, quem sabe, de fazer a mea culpa, mas também agradecer a minha querida Lusimary de Gouvêa pela revisão dos erros que têm aparecido por aqui... eu te amo, viu?


Eu revisei

"A luta contra o êrro tipográfico tem algo de homérico

Durante a revisão os êrros se escondem,

fazem-se positivamente invisíveis.

Mas assim que o livro sai, tornam-se

visibilíssimos,

verdadeiros sacis vermelhos

a nos botar a lingua em todas as páginas.

trata-se de um mistério que a ciência não

conseguiu decifrar"

Monteiro Lobato