quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Brasil: terra de mentirosos, corruptos e ladrões...



Dizem que Otávio Mangabeira, antigo governador baiano, dissera certa oportunidade que absurdo na Bahia tinha precedente! Tirante a brilhante figura de retórica, uma idéia como essa deveria deixar todos nós com o estômago embrulhado, vexados, constrangidos por ter que conviver com tamanha aberração no nosso quotidiano,  contudo, infelizmente, a "reflexão" do falecido governador pode ser estendida para o resto do país, não podemos esquecer que, além de tudo, ainda temos um laboratório para produção desses indecoros situado em Brasília! Lá está o micro do macro do que é esse país! Sim, porque quando pensamos que chegamos ao limite da indecência (depois dos Anões do orçamento, parecia que nada pior poderia acontecer), eis que a capital da república nos brinda com  mais um destempero! O absurdo é que a reincidência está se tornando lugar-comum, os mesmos sujeitos que falam em ética, em decoro, o tempo inteiro, são os primeiros a praticar atos que lhes negam totalmente o discurso! Talvez por isso, fomos "agraciados" com mais um escândalo em Brasília! O senador José Roberto Arruda, líder do PSDB-DF, "assessorado" pelo presidente do senado, Antonio Carlos Magalhães, PFL-BA, quebrou o sigilo do painel de votação do senado federal, tendo acesso aos nomes dos votantes na sessão secreta que cassou o ex-senador Luiz Estevão, PMDB-DF.
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Esperem um pouco, a elaboração do falecido governador dizia que ABSURDO na Bahia tinha precedente, não foi isso? Então, qual a razão de trazer à tona  o caso da violação do painel do senado, ocorrido em  28 de junho de 2000, ou seja, há mais de nove anos? Estaríamos nos ancorando no fato de que um dos protagonistas daquele episódio, José Roberto Arruda, teve acesso irrestrito aos votos de senadores e senadoras da sessão secreta(?) que culminou com a cassação de Luiz Estevão do PMDB-DF? Mais, tendo a "elegante assessoria" da diretora do Prodasen (Secretaria  Especial de Informática do Senado), à época, Regina Célia Peres Borges? Além da cumplicidade do então presidente do senado Antonio Carlos Magalhães? Estamos querendo mostrar um fato digno de fazer parte da galeria de absurdos da nossa história? Algumas coisas que se alteraram de lá para cá! O PFL, um filho bastardo da Arena, partido da situação no período da ditadura militar, virou Democratas (sic), para a "tristeza" de alguns ACM morreu, mas não seus métodos, eles se perpetuam em suas "raízes"! Não se pode esquecer que quando o pai renunciou o filho assumiu, afinal, era o seu suplente, além do Neto do cacique morto, mas as representações teatrais dos Arrudas e seus sequazes continuam.
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Ironias à parte, parece que vamos passar o resto da vida sendo achincalhados, tratados como se fôssemos imbecis, a celebrar, como bem disse o poeta Russo, em Perfeição, "nosso passado de absurdos gloriosos", continuaremos a dizer que é assim mesmo, que não há jeito, faz parte da nossa índole! A ópera-bufa que foi transformada a violação do painel do senado também terminou em PANETONE, ops, não, naquela época a moda era PIZZA! Arruda fez um dos discursos  mais "sinceros" da sua vida, na tribuna do senado, encharcado de emoção, para provar sua inocência, "não vi, não tomei conhecimento, não fui informado e não sei se existe a tal lista de votação", e depois, quase às lágrimas, quatro dias antes de dizer com todas as letras que era CULPADO: "permitam-me com o meu sofrimento, com as vísceras da minha emoção expostas à execração pública, eu que não tenho bens pessoais, não tenho fortuna, mas tenho a honra e tenho filhos, que têm o meu nome, os naturais e os que adotei, e a esta honra eu serei  fiel, enquanto viver." Depois de todo esse teatro, para evitar ser cassado, José Roberto Arruda renunciou ao cargo no dia 24 de maio de 2001, ACM o seguiu seis dias depois do mesmo ano. Ironicamente, ambos são eleitos logo nas eleições seguintes, ACM volta ao senado e Arruda para a câmara dos deputados, agora pelo Democratas!
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"Vamos cantar juntos o hino nacional, a lágrima é verdadeira." Os versos do poeta Russo ecoam quando vemos as imagens em que o governador do Distrito Federal embolsa quantias que lhe são entregues por um antigo aliado seu, Durval Barbosa, assim como outros "assessores" se locupletando, colocando notas em todos os lugares possíveis e imagináveis! Se em 2001 o governador afirmava que não tinha fortuna ou bens, embora dissesse que tinha honra. Agora esse não é mais um problema. O curioso é que no caso do painel do senado, ele e ACM eram cúmplices, mas o velho político baiano tentou descolar seu nome do de Arruda, para não ser "contaminado."  No caso atual de corrupção do governador do Distrito Federal, dois políticos votaram contra a expulsão sumária do governador, entenderam que merece um tempo para se defender, quiçá provar sua inocência, embora as imagens sejam contundentes, foram eles: o presidente do DEM, Rodrigo Maia, e, estranhamente, ACM Neto!
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Como parece estar provado que somos todos uns ineptos, o advogado de Arruda, José Gerardo Grossi, fala com a convicção de que somos tolos, porque para acreditar na sua versão só mesmo sendo idiota! Ao se referir ao volume de dinheiro recebido como propina,  afirmou que aquele montante, que ora vimos na TV, foi usado para compra de panetones, que seriam doados às pessoas carentes do Distrito Federal!? Haja panetones para gastar aquela quantia toda! "Vamos  comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado, todos os mortos nas estradas, os mortos por falta de hospitais." É o espectro do poeta Russo a nos rondar! Quando foi eleito para Governador do Distrito Federal, para amenizar a violação do painel  e voltar a fazer seu teatro particular, Arruda afirmou: "não matei nem roubei ou desviei dinheiro público, mas cometi um grande erro, talvez o maior da minha vida." De uma só tacada fez as pazes com o eleitorado ao admitir o erro, além de se mostrar arrependido pelo deslize. Como explicar, sem o cinismo utilizado no episódio do painel, a corrupção em que está imerso e sair ileso? Como justificar as propinas e o envolvimento de seus principais aliados? Ah, os absurdos! Como somos esquecidos, não custa lembrar que o atual presidente do senado, José Sarney,  era quem estava sob as luzes, não faz muito tempo, até cartão vermelho recebeu em plenário. Teremos outra ópera-bufa na escalada do astuto José Roberto Arruda, assim como foi a do Sarney? O governador patusco terá alguma carta na manga para continuar no partido e no governo ou vai fazer tal e qual fez no escândalo do painel? E nós? Continuaremos acreditando que não existe outra  saída a não ser a parlamentar?...  

2 comentários:

Luanna disse...

É Manoel como ainda diz na canção...

"...vamos comemorar como idiotas...é a festa da torcida campeã..."

Afinal o Clube de Regatas do Flamengo foi HEXA!!!

A "estupidez humana" ocorrida no DF será esquecida...

LAMENTÁVEL!!!!

Abraço afetuoso!!!

Manoel Gomes disse...

Tem razão, Lu, isso dá uma tristeza danada, não é? Somos SEM em tudo!Sem Educação, sem saúde...mas o Flamengo é Hexa, e como diria o otimista, por enquanto, tudo bem...abraços afetuosos!!!