sexta-feira, 18 de maio de 2007

Estudantes cintilantes, professores mofados...

Há momentos na vida que acontecem coisas que chegamos à conclusão que apesar de tudo o que estamos passando, por exemplo, ouvir um "sindicalista histórico", que foi preso e achincalhado nos anos de 1980, dizer que greve de determinada categoria de trabalhadores "é férias", ainda vale à pena pensar que a utopia é possível, que o sonho não acabou, é claro que Lennon falou de outro sonho! Quanto a isso, sentimo-nos retroalimentados pelas manchetes dos jornais: "Estudantes da USP ocupam a reitoria há duas semanas", embora a justiça já tenha determinado a reintegração de posse. Outrossim, estudantes da UNESP tomaram de assalto, no último dia 15/03/07, o saguão do prédio da diretoria da Faculdade de Filosofia e Ciências, campus de Marília(SP) contra o decreto do governador José Serra! Milton Nascimento, de forma sinfônica, diria: "verdes, plantas, sentimento, folha, coração, juventude e fé"
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Em assembléia realizada, no dia 16/05/07, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, estudantes "pediram" aos professores que entrassem em Greve! Fatos em regiões distintas, sudeste e nordeste, mas que trazem em comum, numa avaliação ainda inicial, um aviso em letras enormes: A CÉLULA VIVA DA UNIVERSIDADE "RESPIRA"! Os estudantes têm uma pauta. Um poeta baiano, nos seus bons tempos, arremataria: "é LINDO"! Já o Legionário cantaria: "quando tudo está perdido, sempre existe uma luz". Os docentes, por outro lado, parecem mofados, o movimento docente resiste à chuva com seu guarda-chuva furado! Seja o que for, essa é uma situação emblemática. Alguns dirão que os estudantes estão sendo manipulados, sendo massa de manobra! Estranho, porque isso nega a história, não nos esqueçamos dos projetos do governo militar para tornar acéfalo o movimento estudantil, tirando-o das ruas e empurrando-o de volta às salas de aula. Filosofia e Sociologia, para quê? Os estudantes, neste quadrilátero, aprenderiam um conteúdo que os transformassem em coisa, não viam, não falavam e não ouviam! Nós, da Educação Física, fomos chamados na construção de um movimento estudantil em massa e sem "juízo", é desse tempo as famigeradas práticas de esportes! A competição esportiva individualizava e despolitizava a massa de estudantes tão a gosto dos conservadores...
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Os funcionários da USP aliaram-se à estudantada na proposta de ocupação e entraram em greve! Ao ser entrevistado, um dirigente sindical afirma que a universidade é a casa deles! O movimento docente deve estar muito satisfeito com a situação, não há nada que o incomode, já que é a única categoria, no episódio, que não se manifestou; ainda que fosse contra, nada tão amargo que o silêncio, já que insinua a morte. A polícia é quem dirigirá esse drama já que a reintegração de posse deverá acontecer sumariamente, o que não se sabe é que se isso vai acontecer de forma ordeira ou teremos, como nos "bons tempos", bombas de efeito moral e outros apetrechos bélicos!
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Na assembléia da UESB não foi muito diferente, houve professores dizendo que estavam se sentindo coagidos a votar na greve! Que eram sensíveis, não conseguindo refletir naquele tumulto. Outros que foram vaiados, disseram-se decepcionados com a falta de educação dos discentes; o fato curioso é que nenhum deles se importou com as palmas ou as rechaçou! Vimos um grupo de estudantes, numa assembléia docente, com um número infinitamente superior ao de professores, muitos dirão que é mais que óbvio uma situação como essa, afinal, é muito maior a quantidade de estudantes do que de professores nas instituições de ensino superior, mas para a proporção de professores a quantidade era ridícula. O movimento docente está satisfeito com a situação ou a apatia denota que enquanto, pelo menos o "alarido" mostra, a estudantada está incomodada, e quase que exigiu a greve, os professores fizeram uma proposta conservadora, temeram as conseqüências do ato. Tanto na USP como na UESB o que temos é um movimento docente alquebrado, ou silente, já que nem a ocupação lá quebrou o silêncio dos professores, como a assembleía aqui conseguiu nada além do que "mais do mesmo". Aqui foi feita uma proposta, e aceita, de "paralisação" até que o resultado da negociação com o governo, que acontecerá na terça-feira, 22.05.07, sinalize se a paralisação será "paralisada" ou se a greve será o remédio para a intransigência do governo. Lá, o movimento docente silente deverá continuar mudo e quem sabe vendo na tv a reintegração de posse na porrada ou de forma "harmoniosa", enquanto por aqui, o movimento docente muito sentido com os apupos recebidos dos estudantes deverá de forma ordeira e pacífica encontrar a melhor maneira de não ter cortado o seu já combalido salário, mas sem deixar de manifestar seu discurso de uma universidade pública, gratuita, com qualidade social e blá, blá, blá....

domingo, 13 de maio de 2007

Grupos, sim; Classes, não!...

Os novos tempos mostram que "superamos" certas categorias, o mundo "mudou" e quem não percebeu isso, está fora do circuito. Estamos vivendo outros tempos, porém existem certos dinossauros que insistem em não ver que os tempos são outros! Entre esses "dinossauros" eu me incluo, mesmo porque o processo de alienação continua com a mesma ou talvez maior intensidade do que antes ou será que o modo de produção mudou nestes 218 anos, tendo como marco introdutório a Revolução Francesa? Há talvez uma sutileza mais aguda no que se refere às relações sociais, já que as novas tecnologias, de alguma forma, "encobrem" alguns aspectos da exploração cada vez mais desenfreada; muitas pessoas falam que o trabalho agora não é mais "braçal", é a "era do apertar botão", por acaso a matéria prima de muitos dos componentes eletrônicos dos diversos equipamentos não saem de minas onde pessoas trabalham sem ver a luz do dia? Por outro lado, os trabalhadores que montam esses equipamentos, como o que estou usando agora, também não passam por jornadas estafantes? Percebe-se que continua de forma cada vez mais intensa a exploração e a expropriação humanas!
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Por tudo o que fez com o Iraque, sem contar as mentiras sobre as tais armas de exterminação em massa, que nunca foram localizadas, é quase certo que se perguntarmos a professores "pesquisadores" se eles concordam com Bush quando este se recusa a assinar o Protocolo de Kioto, é bem provável que digam, quase que imediatamente, que não: "esse "senhor" está destruindo o planeta com a emissão dos gases tóxicos na atmosfera!" Contudo muitos desses pesquisadores, e quase sem querer vou voltar à questão das cotas, financiados pela "Ford Foundation", fazem pesquisas cujos objetivos vão desde a inclusão dos afrodescendentes até a redução da pobreza e da injustiça! A estranha ironia é que quem mantém essa instituição é a companhia automobilística Ford que, em tese, é contra o protocolo de Kioto e consequentemente a favor da companhias petrolíferas, é lógico, ela precisa de combustível para movimentar seus veículos! Se usarmos de um silogismo, teremos: a Ford Foundation apóia as pesquisas desses professores, logo eles apóiam as atrocidades perpetradas por Bush!
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A "Ford Foundation" foi criada em 1936, com a finalidade de reduzir a pobreza e a injustiça, fortalecer os valores democráticos, promover o desenvolvimento humano, de lá para cá, já desembolsou mais de 10 bilhões de dólares em doações. Há uma contradição nem um pouco velada, mas que talvez passe despercebida por conta do caráter "humanitário" das ações da fundação. Uma questão me inquieta, qual seja: por que a maioria das grandes corporações tem fundações? Em linhas gerais, todas interessadas no bem comum, geralmente na extinção da pobreza. A Nike deve ter uma, embora explore descaradamente populações inteiras na feitura dos seus materiais esportivos, pagando verdadeiras misérias e as expondo a doenças pelo manuseio de materais tóxicos!
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A sede da Ford Foundation é nos EUA, não seria muito mais interessante começar com essas ações humanitárias em sua própria casa, a princípio não se compreende a razão da fundação desejar formar lideranças nos países "emergentes"! Dados de Mário Maestri, encontrados em http://www.unidadepopular.org/maestri28.htm#* mostram que "a população afro-estadunidense pobre vive mergulhada na miséria relativa e absoluta e perde posições em relação aos latinos e asiáticos. A prisão hoje é a grande solução para a questão negra, que com 5 % da população do planeta possui 20% de encarcerados. Deles, 50% são negros! No país mais rico do mundo, o jovem negro acaba nos braços da prisão e da droga e dificilmente em uma universidade ou emprego razoável". Estamos diante de um enorme paradoxo, a Ford Foundation investe maciçamente, cerca de U$ 550 milhões em escala global, em 2005, na formação de lideranças e na inserção em universidades de negros em outros países, como o Brasil, contudo este segmento no país sede da fundação vive nas condições mais degradantes possíveis!
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O discurso nestas plagas, consubstanciado pelas ações afirmativas, as cotas como receita e remédio para a "salvação" dos afrodescentes e indígenas, sinaliza para a negação das classes sociais, neste sentido, a exploração do trabalho é minimizada, não existe, esse é um discurso jurássico, agora a discussão se volta para os grupos, ou seja, as cotas propõem um vestibular menos perverso, se é que podemos afirmar isso, mas não acabam com a competição pela vaga, a seleção fica restrita ao grupo e dentro do grupo, uma elite, não nos esqueçamos disso, aquele que consegue a ascensão está levando consigo, na pele ou onde quer que seja, todos os outros, a questão étnica prevalece, mesmo que a grande maioria continue nas favelas, nos lixões do mundo, mas alguém do grupo venceu e é isso o que importa! Os arautos dizem: queremos uma classe média negra! A luta de classes acabou, "decretada" pela ford foundation, que vivam as "minorias"! Enquanto isso, as consciências silentes dos pesquisadores, patrocinados pela Ford, fingem não ver, afinal dinheiro não "tem" ideologia e as pesquisas gozam da "neutralidade" científica, quem sentiu isso na pele, literalmente, foram os japoneses de Hiroshima e Nagasaki...

terça-feira, 8 de maio de 2007

E a musa chorou...

O Troféu Maria Lenk (antigo Troféu Brasil) realizado na semana passada, no Parque Aquático Julio De Lamare, no Rio de Janeiro, classificou os representantes da natação brasileira para os Jogos Panamericanos de 2007; seletivas com esse intuito não têm nada de extraordinário, se algo patético, para não dizer ridículo, não houvesse acontecido. A atleta Mariana Brochado, grande favorita, pediu desculpas ao país pelo "fracasso", por não ter obtido o índice e desabou em lágrimas! O esporte de alto rendimento, enquanto espetáculo, utiliza muito os aspectos emocionais para atrair o grande público, no sentido de fazer com que as pessoas a partir da empatia se sintam como o sujeito que está competindo, há uma espécie de simbiose entre aquele que é mero espectador e o atleta, desse modo, a derrota em alguns casos comove a ambos, levando-os à tristeza extrema!
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No esporte de uma forma geral e no de alto rendimento em particular, a possibilidade da derrota é parte integrante da equação, mas se isso é óbvio, por que, então, todo esse constrangimento causado pela não participação de Mariana Brochado nos Jogos? Na verdade, o esporte costuma levar a exageros, de cenas da mais absoluta violência a cenas de beleza comovente; ninguém esquece daquele Grenal em que a torcida quase "incendiou" o estádio ou aquela cabeçada de Zidane em Materazzi na copa de 2006; como não recordar a plasticidade das pedaladas de Robinho sobre Rogério na final do brasileiro de 2002 ou o gol de Marcelinho que lhe valeu uma placa na Vila Belmiro?
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As metáforas associadas ao esporte levam simples sujeitos a se sentirem imortais, indestrutíveis - são tigres, gênios, pumas, guerreiros - com a responsabilidade de confirmar a imagem construída, neste caso, há mais um elemento associado à vencedora que é a beleza, eis aí a razão do acréscimo do termo "musa" à nadadora, além de nadar é bela! Musas são entidades, originalmente filhas de Zeus, pai de todos os deuses do Olimpo! A derrota nas seletivas de uma figura como a Mariana Brochado traz a necessidade de explicação e temos a partir disso as teorias mais extravagantes para justificá-la, embora todo mundo saiba que faz parte do jogo.
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Cenas em que os "imbatíveis" são derrotados deviam ser comuns, mas quando isso acontece vêm carregadas de situações nem sempre lisonjeiras! Recentemente em Melbourne, na Austrália, no Mundial de Esportes Aquáticos, Mikhail Zubkov saiu dando bordoadas em sua atleta e filha Kateryna Zubkova por ela não ter se classificado nas semifinais dos 100 m costas! O que o levou a tamanha violência e frente às câmeras do mundo inteiro? A derrota! Mas se ela faz parte do jogo e treinadores, em tese, são pessoas disciplinadoras, equilibradas e de bom senso, por que partir para a agressão e neste caso, espancar a própria filha? Talvez o crime desses vencedores seja justamente a vitória! Quem ganha sempre quando perde fica refém da imagem construída e incorporada!
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A derrota em competições sempre traz cenas patéticas, a ironia esportiva que levou a musa da natação às lágrimas, também fez outra vítima nas olimpíadas de Atenas de 2004. A favorita para a medalha de ouro, na ginástica de solo, era a Daiane dos Santos, mas o "incomum" aconteceu, ela errou e ficou em 5º lugar! Se o espetáculo esportivo não fosse colocado como uma guerra a ser vencida a todo custo, as derrotas desses atletas passariam despercebidas, mas como parece que está sobre os ombros desses "semideuses" o brio dos seus compatriotas, os comuns, quando vem a derrota todos se sentem derrotados e como fez Mariana Brochado pedem desculpas a uma nação inteira como se um simples ato esportivo tivesse uma dimensão para além do que ele é, apenas um mísero jogo em que há vencedores, mas para que isso aconteça, os perdedores são parte intrínseca do espetáculo, que na maioria das vezes se transforma em circo e pão!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Livros...desvele-os!

Dias destes estava em casa sozinho, (re) lendo um livro sobre um escravo que "balançou" um império, Espártaco, de Howard Fast, quando me veio à memória minha iniciação pelos caminhos das letras, algo deslumbrante e ao mesmo tempo "assustador"! Sei que existe controvérsia, mas acredito que o livro foi/é a maior invenção humana, um grande encontro do humano com sua inteligência! Sim, o livro nos libera para viagens cujo destino são veredas e sertões grandes!
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Um fato curioso é que, enquanto minha filha aprendeu a ler muito rapidamente, e era muito lindo vê-la desnudar as páginas nas suas primeiras leituras, demorei um pouco mais que ela, foi difícil o guerreiro repousar, mostrando que o ditado popular "filho de peixe" não passa de uma tola ilusão, o tal do "dom", não está em nosso DNA o que vamos ser, se Shakespeare tivesse nascido na Patagônia dificilmente seria escritor, somos influenciados nas nossas opções pela cultura, pelos espaços que trafegamos e se chances nos são dadas podemos ir para além de lua e estrelas, chegarmos à via láctea!
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Em dado momento, quando minha mãe descobriu que já lia, prometeu, e cumpriu, que me daria revistas, o pato donald, inicialmente, foi o ponto de partida para a formação do leitor, mas como nada vem de graça, havia uma imposição: explicar o que foi lido, tintim por tintim; hoje percebo o quanto ela, sem nenhuma formação acadêmica, tinha uma acuidade acima da média para a época! Ler e explicar, a molecada tem tanta dificuldade hoje com esse negócio de interpretação de textos, porque isso "não está inserido no contexto"!
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As imagens das revistas facilitavam a compreensão e as "explicações", isso criou um "banco maternal" e todo mês descontava a minha revistinha, tempos de vacas quase sem pelo, mais ainda assim, não falhava nunca! Devorava aqueles morangos, alguns mofados, é fato, mas isso não tinha nenhuma importância, eram deliciosos! A minha descoberta do prazer da leitura pertence a duas mulheres lindas, minha mãe, hoje só lembrança, e minha irmã, Lina. Essa foi a responsável pela "ruptura epistemológica"! Jamais, em tempo algum, imaginei que era possível ver sem ver! A primeira leitura de um livro, um admirável mundo novo!
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Perguntara como era possível sem gravuras e minha irmã apenas dissera leia que descobrirá. Não foi nenhum clássico da literatura universal, um simples livro de bolso, sem nenhum atrativo especial e sobre a 2ª guerra, mas como foi saborosa a descoberta, e esse primeiro encontro foi tão significativo que me estimulou a desvelar localidades verdadeiramente brasileiras, como os sertões! Percebi que a leitura me possibilitaria ver a luminosidade de uma estrela que sobe, por outro lado, é óbvio que meu time de futebol só poderia ser vermelho e negro, porque eu sou Vitória que não foi campeão, para minha tristeza, em 1984!
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Livros deveriam ser o primeiro presente quando as crianças nascessem, para que já em tenra idade descobrissem o quanto é prazeroso ler, o quanto é bom manuseá-los; o cheiro, sentir o cheiro de um livro novo, penetrando lentamente pelas narinas, é algo indescritível, tê-los sob os olhos, uma emoção inenarrável!

sábado, 28 de abril de 2007

Contradições venezuelanas e paradoxos brasileiros

Comecemos falando de um paradoxo encontrado na "Pequena Veneza", antes daquele que a imprensa, que goza de liberdade, tenta desqualificar a todo custo, estamos falando do Presidente da Venezuela Hugo Chávez Frias; mas voltemos ao paradoxo, como pode um país ser o 5º produtor mundial de petróleo e 80% da sua população viver em condições miseráveis? Um meio de comunicação de massa deve se preocupar com coisas desse tipo ou seu papel se resume a informar? Com uma população de aproximadamente 25.000.000 pessoas, o Estado Venezuelano sempre esteve a serviço da sua minoria, o que não deixa ser cômico, se não fosse trágico, ou seja, há riqueza, mas o povo é miserável!
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Quando ainda nos encontrávamos no ensino básico, recordamo-nos de um professor de História que falava da riqueza da Venezuela e que não entendia como um país com a quantidade de petróleo correndo no seu subsolo, tratasse a maioria da sua população de forma tão avarenta! As condições sociais começam a mudar quando Chávez assume o poder e isso incomoda aos que são subservientes aos ditames dos EUA para a América Latina.
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Desde que foi eleito, dentro dos parâmetros que a imprensa que goza de liberdade defende (como "eles" gostariam de chamá-lo de ditador) Chávez venceu oito vezes a oposição em seis anos de governo, constam dessas vitórias, um Golpe de Estado, um Lockout, por conta da estatal petrolífera, a PDVSA, e um referendo revogatório, ainda assim, os que estão a serviço de interesses espúrios querem pintar um quadro que mostre uma face que só os fascistas de plantão vêem! Os adjetivos direcionados para Chávez mostram muito bem que "liberdade de imprensa", em alguns casos, é sempre unilateral, quando se trata dos interesses das grandes corporações de comunicação.
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Em passado recente, um certo presidente resolveu não participar de um debate, de uma poderosa emissora de televisão brasileira, por achar que este não acrescentaria nada, ou quase nada, na sua campanha. Não valia à pena correr riscos, já que a vitória estava assegurada, o debate bem que poderia tirar alguns pontinhos preciosos. Quem fez isso? Fernando Henrique Cardoso nas eleições de 1998. Posso estar sendo leviano, mas a tal emissora não fez o estardalhaço que fez nas últimas eleições quando o quadro era praticamente o mesmo e o atual presidente resolveu não participar do debate como fizera seu rival em 1998! Como consequência amargou um segundo turno, contra todos, em que a manipulação foi tão descarada, que um dos repórteres da rede, Rodrigo Vianna, se "exonerou" por discordar da forma como a cobertura foi realizada. Liberdade de imprensa! Outro fato que pode demonstrar essa dubiedade está relacionado ao livro CBF/Nike, publicado pela Editora Casa Amarela, que o Ricardo Teixeira conseguiu impedir a circulação e a tal rede silenciou, não estaria caracterizado aí uma agressão à liberdade de imprensa ou ela não se manifestou por ser parceira da CBF?
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Chávez já sinalizou que não vai renovar a concessão da RCTV - Radio Caracas Televisión, conhecida como Canal 2, que se expira no próximo dia 27 de maio de 2007. O que vemos atualmente é uma batalha de percentuais divulgada pelos órgãos de comunicação, como uma verdade insuspeitável. Dizem os números, "imparciais", é claro, que 81% da população é favorável à renovação da concessão, números esses superiores aos da aprovação de Chávez que se resumem a míseros 61%! Segundo os noticiários, com ações como essa o governo chavista quer calar a oposição! (sic) Mas uma concessão não é liberada pelo Estado para acesso público? Então a RCTV faz oposição? Ou apenas relata os "fatos", com total isenção, como fez e muito bem no Golpe de abril de 2002, quando imediatamente divulgou que o novo presidente da Venezuela era o senhor Pedro Carmona Estanga, notícia veiculada também por estas plagas, sem nenhum questionamento, o que é estranho, haja vista que a "renúncia" de Chávez foi um atentado à democracia latino-americana.
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Se instituto administrativo da concessão, tendo conceito, natureza jurídica, características e modos de outorga de concessão pública de televisão, é feito pelo Estado, cujo objetivo é servir à sociedade e no julgamento deste Estado isso não vem ocorrendo, nada mais elementar que esse direito seja suspenso, e isso faz parte do jogo da livre iniciativa, tão defendida por empresas como a RCTV e a Globo! Por que toda essa celeuma? Gente nas ruas pedindo que o canal de tv seja mantido com o argumento falacioso de que é uma agressão à liberdade de imprensa? Ao comparar os dados de aceitação da concessão com a aceitação do governo, a RCTV quer insinuar que há mais pessoas interessadas no que a emissora tem a dizer do que no que vem sendo feito pelo governo Chávez! Se voltarmos para os dados anteriores e prestarmos bem atenção que redes como as duas em questão estão sempre encasteladas no poder, vivem às custas do Estado no que se refere à maior fatia do mercado publicitário, quando não encontram essa mamata, vão para a "oposição", tanto aqui como na Venezuela, não nos esqueçamos que a Globo se estruturou em plena ditadura militar, numa total omissão com o que acontecia no país, quem não lembra do "episódio Brizola"? Todos sabemos que nas "diretas já" houve um "silêncio" por parte desta emissora...Chávez ao não conceder a renovação da concessão não faz nada que não faça parte do jogo democrático, não renovar a concessão é uma das prerrogativas possíveis, afirmar que isso é uma agressão à liberdade de imprensa é falácia!