segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Maggi e Murer...

Agora que os jogos olímpicos terminaram, vai começar a velha choradeira de sempre vinculada ao número de medalhas conquistadas. Ouviremos esse lenga-lenga pelos próximos quatro anos! Sugestões das mais variadas e espúrias aparecerão para que o número de pedaços de metal aumente! Provavelmente deve aparecer alguém cobrando do Estado, a Lei Piva já não basta, mais e mais investimento para que o esporte de rendimento "amador", a serviço das grandes corporações, iluda-nos com seu canto da sereia e traga um pouco de alegria para esse povo tão sofrido! Se perguntássemos a Hortência, antiga jogadora de basquete, qual a solução para aumentar a quantidade de medalhas, a resposta seria mais ou menos essa: "Não fomos mais eficientes porque não há a busca de atletas na escola, é lá que está o celeiro dos futuros ídolos." Quem não lembra daquela frase repetida à exaustão tempos atrás que dizia, mais ou menos, que "onde alguém via apenas alunos, o professor de Educação Física via atletas! Há uma pesquisa nas "ruas" que diz ser necessário 2000 indivíduos para se tirar um atleta olímpico! Se isso não for feito, a cada quatro anos teremos os últimos resultados ou pior, só não percebe isso quem não quer ou é mal intencionado, dirão os profetas de plantão! O que ninguém diz é que isso já foi feito em décadas passadas, ou será que já esquecemos o período da ditadura militar em que a política do "esporte para todos" foi incentivada por todos os cantos do país? Contudo, antes de fecharmos as cortinas encerrando finalmente esse grande espetáculo midiático, que provocou rios e mais rios de lágrimas, façamos uma última ilação sobre a trajetória brasileira nestas olímpiadas, usando Fabiana Murer e Maurren Maggi, como exemplos, a mídia disse: "esses jogos foram das mulheres", analisemos as musas, então!
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O fato é que tínhamos algumas certezas nestes jogos. Tiago Camilo e Diego Hypólito eram unanimidade em relação à medalha de ouro, assim como esperava-se de Maurren Maggi e Fabiana Murer grandes desempenhos, lógico que das duas, seria impossível especular que a Fabiana chegasse ao ouro, a não ser que se abatesse a tiros a russa Yelena Isinbayeva, ainda assim, seria impossível! No caso de Maurren, tinha a questão do dopping, fantasma do qual ela precisava se livrar. Essas mulheres chegaram a Pequim com expectativas de medalhas elevadas ao infinito. Para início de conversa, pergunta-se, o que aproxima essas duas mulheres, além da letra dos nomes e a questão esportiva? Se você for uma pessoa apressada dirá imediatamente que duas palavras: fracasso e sucesso! Esta seria uma resposta óbvia, porque ambas chegaram a Pequim com chances reais de pódio, mas isso seria muito simplório e não estaríamos fugindo da mera aparência. Poderia-se contra-argumentar que enquanto uma se manteve serena na busca dos seus objetivos, a outra foi punida por não ter revisado seu material de salto, ademais fez um verdadeiro "barraco", chegando a tentar impedir a continuação da prova, quando percebeu que a vara que lhe "daria" a medalha tinha desaparecido! Deve ter sido algum serviço secreto, quem sabe a serviço de Isinbayeva?! Será que era motivo para tanto choro? Por que não desistiu ao invés de saltar com a vara que sabia que não resolveria seu problema? O estranho é não haver nem uma vara, entre as nove que restaram, para ajudá-la na tarefa, afinal, estava-se no começo da competição, ou estaria ela insegura por causa da pressão de ter que pelo menos trazer um bronze? Neste caso, um dado passou despercebido: todas as varas eram iguais e da mesma marca, segundo o técnico da atleta, portanto, todo aquele show poderia ser evitado e a nossa boa moça, até então, não precisaria sair de Pequim dizendo que não voltaria nunca mais a China, atribuindo-se uma importância que não tem, mas não podemos perder de vista que estamos falando de espetáculo, e com tal é "obrigação" aplaudir de pé todo e qualquer show, mesmo aqueles com o final tão trágico como o de Fabiana Murer! Atletas tendem a ser temperamentais, costumam fazer muito barulho por nada!
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No caso da Maggi, é muito provável que não fizesse todo aquele barulho, não que ela seja diferente e sim por causa do seu passado! Depois de ter sido afastada das pistas por causa do uso de substância proibida, tornou-se uma pessoa mais doce, mais serena e tranquila, virou mamãe! Construiu uma imagem que causa emoção e comove a qualquer pessoa que não seja insensível! Quem não torceu para que sua opositora não fizesse o salto que lhe tiraria a medalha! A torcida foi tão grande que venceu, ainda que tenha sido por apenas um centímetro. Diferente de Murer, manteve-se sempre cordial e, em todas as entrevistas, não deixou de lembrar, como toda boa mãe, da filha Sofia em meio às lágrimas e ao EU TE AMO, FILHA! Esse é o típico espetáculo que atrai público, que garante a audiência, que movimenta BILHÕES e vende muito produto! Quem sabe se não teremos, muito em breve, uma bonequinha de nome Maurren Maggi, a mãe da Sofia? Mas qual é então a diferença entre uma e outra que não o binômio sucesso/fracasso? Não é neste binônio que se encontra a diferença entre ambas, por uma razão bem simples: não existe diferença! Essas duas mulheres não passam de mercadoria para consumo imediato, nada mais que um produto na vitrine! Vendem-se enquanto imagem, não têm nenhum valor de uso, são trocadas como produto nas prateleiras dos supermercados televisivos, vendidas como são comercializadas as sardinhas em suas latinhas! Acabaram-se os jogos, os dramas de mães, pais, avós etc. foram trazidos para dentro de nossas casas, sob muitas lágrimas. Não vão parar por aí, ainda teremos mais algumas no desembarque, ficaremos esperando ansiosamente que a mídia e suas telinhas coloridas nos avisem que é chegado o momento da emoção, vamos todos chorar com o encontro de Maurren e Sofia, porque no modo de produção capitalista não somos donos nem das nossas próprias lágrimas...

2 comentários:

Manuela Cassia Silveira disse...

Pois é, concordo que não há diferença. Contudo, faltou uma coisa: além de bonequinhas da mãe de Sofia, podem vir também as revistas de nú artístico!!! Afinal, essa foi a olimpiada das mulheres, e o nu é sem dúvida uma das muitas formas de exploração da imagem feminina. Já pensou, Maggi e Murer? No espetáculo midiatico, tudo é possível...

Manoel Gomes disse...

Tem razão! Você andava sumida, seja bem-vinda,rs,rs,s