terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Tísica e Pobreza...

Viver no Brasil parece ser um teste de fogo a cada dia, não tenham dúvida, é preciso ter coração de aço para agüentar! Digo isso porque somos surpreendidos a cada passo que damos, em qualquer direção, pelos maiores absurdos! Será que alguém já se perguntou se não é uma indecência que um pai senador da república, ministro, coloque seu filho como suplente, mesmo que este não tenha nenhuma relação com as coisas da política, ou melhor, que o filho possa usar esse mandato para ter foro privilegiado por ser acusado de crime de falsidade ideológica? Será que em um país sério isso seria possível? Pois é, vocês poderão dizer, "mas isso não é mais surpresa, é parte integrante do nosso cotidiano". Se assim for, estamos assumindo definitivamente a velha máxima que diz: o errado é que está certo! Porém, ainda que essas indecências não surpreendam nem o mais tolos dos tolos, fui surpreendido com a notícia de que a tuberculose mata cerca de 5 mil pessoas, por ano, no Brasil e mais de três milhões em todo o mundo! Não é um absurdo, que isso aconteça com uma doença que se pode curar?
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Houve um tempo em que a tuberculose tinha a força destruidora que a aids possuía nos anos de 1980! Era uma doença mortal! Este fato fez com que o grande cientista soviético Lev S. Vigotski soubesse que, por ter contraído a doença, pereceria ainda jovem e isso aconteceu quando ele tinha apenas 37 anos, uma perda enorme para a psicologia infantil, dentre as muitas áreas que investigava! Mas Vigotski nascera no século dezenove, a medicina ainda não descobrira a cura de tão terrível doença! Neste sentido, pode-se até entender o número de pessoas que pereciam por causa da doença, mas como explicar a quantidade de casos quando o tratamento é gratuito e encontrável em qualquer posto de saúde? O que leva um país como o Brasil ter em suas estatísticas a morte de cerca de 5 mil pessoas, a cada ano, se temos um número imenso de escolas de enfermagem e medicina espalhadas pelo país?
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A tuberculose é um caso de saúde pública, isso é um fato que ninguém pode negar! Mas também uma questão de educação, porém parece que para além dessas questões, temos uma equação que não pode ser esquecida. O que acontece é que, geralmente, a tuberculose está associada à condição social desfavorável, à carência alimentar, moradia e higiene precárias. Os gestores não podem se ater às campanhas que esclarecem àqueles que já estão esclarecidos! Não basta ter medicamento em quantidade suficiente em cada esquina se a maioria da população vive na pobreza, tem uma alimentação deficiente e sobrevive em barracos cuja higiene deixa a desejar! A tuberculose é uma questão social de primeira grandeza, mas como no modo de produção capitalista cada sujeito vale pelo que tem e como pobre não tem nada, a possibilidade desse quadro se alterar é muito pequena, ainda que alguns ricos desavisados possam morrer de tuberculose pulmonar...

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