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Quando os pés perdem o contato com o chão, quando percebo que meus pés flutuam, que estamos no ar, pronto! Minha adrenalina vai às alturas! Dizem para rezar, é a única solução possível neste momento, mas como um materialista pode rezar se é a racionalidade que o orienta? Não é mole, não! Contudo, como já disse por aqui, parafraseando o bardo inglês, há mais coisas entre o céu e a terra que apenas aviões! Sei que pode parecer ridículo, e todo mundo que não tem medo ( não é Mary Maria?) tenta me convencer que não é preciso se preocupar, tudo vai acabar bem! Todavia, voar é um sofrimento para mim, embora tente administrar esse tormento!
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O mais estranho de tudo isso é que todas as vezes em que tive que viajar no "bicho", nunca foi uma viagem para ali pertinho! Sempre que fui para a "batalha", nunca fiz menos que quatro vôos em curto espaço de tempo. Lembro-me agora que a primeira vez, que a gente nunca esquece, uma professora, nem tão amiga assim, ao saber que era a minha primeira vez, fez uma gracinha atroz: "o senhor pode se cagar todo"; agora me responda com sinceridade: isso é lá maneira de se tratar um neófito?! Claro que não! Mas na primeira, o percurso de ida me obrigou a entrar em duas aeronaves; na volta foi uma overdose: cinco! Ah, mas tem um fato curioso que não deve e nem pode ser omitido. A tal professora fez a viagem totalmente travada, e olha que com todo medo que sentia, não deixei a oportunidade passar, dei uma verificada discretamente pela poltrona para ver se ela não estava totalmente cagada!
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Bem, dessa vez não foi diferente, foram 4 aviões e aquele sentimento de quem tem muito medo me perseguiu por todo o trajeto, com direito a alguns sustos. O vôo estava previsto para 17:10, mas como tem coisa que só acontece com a torcida do Botafogo e comigo, para aumentar a tensão, fui avisado que haveria um atraso de 30 a 40 minutos, ultrapassou os 50! Quando, enfim, partimos, depois de um leve incidente, já que um passageiro fez o check-in e, simplesmente, desapareceu! Momentos angustiantes, juro que pensei até em bomba! Voltando à partida, quando estávamos no ar, uma sensação de que o "bicho" parou momentaneamente, um gaiato atrás de mim gritou: "agora ele vai cair"! Ouvi a voz amedrontada de minha filha dizer: "Nem em pensamentos diga isso"! Foi uma sensação de medo misturada com pavor! Contudo entre muitas sacudidelas, que me deixaram com uma leve dor no pescoço, aterrisamos sãos e salvos. Disse para mim mesmo: "não viajo mais nesta joça!" Mal sabia eu que a aventura estava apenas começando, ainda teria mais duas experiências, o consolo é que no vôo estava o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, o que convenhamos trazia uma segurança a mais, qual companhia aérea gostaria de causar qualquer desconforto ao grande médico? Estava começando naquele momento mais uma aventura dos três pretinhos (Ró, Manuela e Manoel), depois de vivenciarem momentos antológicos no Rio de Janeiro, onde até strike aconteceu, mas isso conto no próximo...