quinta-feira, 28 de junho de 2007

CBF milionária x futebol falido...

O campeonato brasileiro de futebol, em sua edição 2007, mostra, nas 7 rodadas apresentadas e na "qualidade" dos jogadores envolvidos, que o esporte "bretão" sucumbiu definitivamente ao "quem dá mais", não há mais craques em campos brasileiros e todos os que aqui jogam, só o fazem porque não há espaço para eles em outras plagas! Todos os jogadores considerados "top" de linha, hoje, são "estrangeiros"! A copa América de seleções começou esta semana e basta darmos uma olhada nos titulares da seleção convocada pelo técnico, sic, Dunga, que vemos materializada a vitória assombrosa das outras economias, inclusive algumas sem nenhuma tradição futebolística, sobre a nossa! A seleção que vai jogar este torneio não tem entre os seus titulares nenhum jogador que esteja atuando em campos brasileiros, aliás, os que jogam por aqui são três, apenas! Em outros tempos, a referência do nosso futebol era jogar na seleção e víamos os atletas brigando para fazer parte, para estar entre os escolhidos; hoje está muito claro que no balcão de negócios, a copa américa ou o campeonato brasileiro são secundários; a úlitma seleção convocada tem um "amontoado" de jogadores, vindos das mais diversas partes do globo, participantes, às vezes, de campeonatos inexpressivos e ninguém consegue entender os critérios das convocações! Lembro da copa do mundo de 1978 em que a nossa maior rival, a Argentina, tinha quase todos os seus jogadores jogando no futebol europeu e achávamos estranho que uma seleção nacional fosse composta de um número tão grande de atletas que não jogasse no país! A copa América reflete esse aspecto. Não temos uma seleção brasileira, temos uma legião "estrangeira" e vemos os apelos mais estranhos para que torçamos para um grupo de jogadores que só estão jogando porque algo mais interessante não apareceu nesta bolsa de negócios que se tornou o futebol hoje, quem há de esquecer o "caso Zé Roberto"!
.
O Campeonato brasileiro é jogado apenas por atletas de segunda e terceira categorias. Se houver algum de primeira linha, é porque ainda não bateram o martelo no leilão futebolístico! Voltemos ao exemplo do Zé Roberto. Na temporada passada jogava na Alemanha, no final do campeonato foi demitido, talvez porque sua idade estivesse mais para "decadente" do que para "ascendente", sendo, então, contratado pelo Santos F. C. Bastou fazer um bom campeonato paulista para que a mídia esportiva começasse a fazer seu lobby, afirmando, em letras garrafais, que ele era o melhor jogador em atividade no país, o que convenhamos, é difícil de aceitar. Depois de tanta pressão, o nosso técnico, sic, Dunga, o convocou! Neste ínterim, um time alemão o chamou para conversar! A regra estabelecida por este era: sua contratação só se efetivaria se ele renunciasse a jogar pela seleção brasileira! Em outros tempos, isso seria inadmissível! Como pode um clube dizer que só assina contrato com um jogador se ele abdicar do seu direito de "representar" seu pais na competição mais importante de seleções das Américas! É óbvio que Zé Roberto optou pela seleção brasileira, dirão aqueles que não percebem que o futebol é uma bolsa de apostas e que quem dá mais inevitavelmente é vencedor! Pois é, meus camaradas, Zé Roberto desistiu de disputar a copa América, com o argumeto que sua idade seria um impedimento para a próxima copa, assinando contrato com o Bayer Leverkusen! Alexandre Pato, do Internacional, Renato Augusto, do Flamengo, Willian, do Corinthians, e Lucas, do Grêmio, são as mais recentes revelações desse futebol que se ressente do poder de barganha, que já não consegue "segurar" mais qualquer jogador que esteja acima da mediocridade que campeia no futebol brasileiro. Pelo que se sabe, Lucas já não mais pertence ao Grêmio; Alexandre Pato, vai para o Celsea; Willian já posou com a camisa do Benfica; desta nova safra, resta apenas o Renato Augusto, embora todos saibamos que não por muito tempo, afinal, na bolsa de apostas do futebol, não temos dinheiro para fazer frente a outras moedas, mas vamos fingindo que temos um campeonato, enquanto a CBF vai se tornando uma das entidades mais endinheirada do mundo...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

É São João...

Assim como no Carnaval, em fevereiro, o Brasil pára e nada acontece, com a mudança de estação, em junho, é o momento do nordeste "brincar de ser feliz". É forró que não acaba mais, por aqui! Proliferaram os "forrós de camisa", (forró disso, forró daquilo) que nada mais é que um grande empreendimento, cujo objetivo é reunir uma grande quantidade de pessoas em espaços "gigantescos" com "bandas", comida e bebida "free", é o que dizem, mas se não houvesse lucro, há muito tempo que esses "forrós" já teriam acabado! Então é claro que a camisa paga parte do lucro! Sei que estou parecendo saudosista, e talvez esteja. Mas o chato é que São João está cada vez mais parecido com o carnaval! Até alguns "cantores" são os mesmos! Sabe de uma coisa, "deixa eu pintar o meu nariz", afinal, o que seria de nós se não houvesse o pão e o circo para esquecermos as nossas mazelas! Quando o carnaval passar, ops, o São João, voltamos a nos preocupar com as coisas mais comezinhas, vai um quentão, aí?...Viva São João!...

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Mamãe, eu quero ser senador...

Numa longínqua cidade do interior, no nordeste do Brasil, uma mãe pergunta ao filho de 7 anos: "filho, o que você quer ser quando crescer?" O filho, de imediato, responde: "senador, mamãe!" À primeira vista, uma resposta incomum, haja vista que uma criança, nesta faixa etária, ainda não tem muito bem estruturado um olhar moral sobre a realidade. Todavia o fato mostra que a informação rompe uma barreira, ainda bem, impossível anos atrás. Temos um volume incomensurável de informações e, às vezes, não sabemos bem o que fazer com elas! Tudo bem! Mas o que tudo isso tem a ver com o diálogo da mãe e filho, lá do início? Não estaria este escriba fazendo uma digressão sem ter percebido?
.
"No meu tempo", era assim que minha avó começava uma conversa todas as vezes que algo absurdo, no entendimento dela, era dito! Vou usar do artifício da "velha" sábia, para tentar explicar que não há qualquer digressão na argumentação. Por que é estranho uma criança de 7 anos dizer, de forma tão decisiva, que quer ser senador? Ora, todos sabemos que existem profissões que há anos vêm sendo "sugeridas" aos indivíduos desde tenra idade! É muito comum o pai "induzir" o filho a optar por sua profissão, mesmo porque, com a opção o filho já tem meio caminho andado; sendo seu pai médico, há um consultório montado e estruturado, esperando por ele, é o que afirma o dito popular "filho de peixe, peixinho é". Havia uma escolha, quase que prematura, por determinadas profissões e entre as "mais pedidas", estavam a medicina e o direito. Achamos meio sem "sentido" uma criança, no interior do nordeste, escolher que quer ser senador, já que "senador" não é profissão! De onde teria partido esse interesse?
.
Assistimos à TV Senado por uma semana para descobrir qual a razão da escolha infantil! Quem sabe se o comportamento dos senhores senadores não estivesse estimulando as crianças, o que seria algo extraordinário, ou seja, nossos parlamentares estariam dando exemplo às nossas crianças na escolha do "ofício"! Conversando com uma colega, professora, ela me confessou que não gostava que ninguém mandasse nela, por isso, ela sempre pensou em ser senadora! Terá sido este o motivo que levou a criança a escolher? O saldo da audiência mostrou que os senadores podem ser "vitalícios", ganham muito, tendo como referência o salário médio do brasileiro, trabalham pouco, têm aumento muito acima da média, recebem "mimos", que é diferente de propina, (palavras de um parlamentar gaúcho) têm muito gado, são "namoradores", possuem emissoras de radiodifusão, não precisam fazer nenhum curso superior, e além de tudo isso, estabelecem seu horário de trabalho! Admitamos a sapiência infantil na escolha do "ofício" parlamentar, contudo a criança é amoral, enquanto as vantagens do cargo de senador estão eivadas de imoralidades...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Saudosista? Nem tanto...

Acordei sobressaltado! A imagem do sonho era a do antigo Cine Jandaia (foto), em Salvador! A representação onírica era de alguém que o destruía a golpes de marreta. Olhando para a foto em destaque, temos a nítida impressão que o sonho se torna tão vivaz, ainda que esta destruição não seja a marretadas, a decadência do prédio é desconcertante, neste sentido, a pergunta que nos fazemos é: como um espaço cultural como esse se perde? Ainda deitado, as reminiscências vieram impetuosas e tão fortes que me vi obrigado a voltar no tempo! Como professor, estando em sala de aula, costumo brincar com a expressão: "isso lá em Salvador", querendo dizer que o tratamento para a questão lá seria diferente! Mas, aqui, ela não cabe já que nem lá, eles, os "cinemas de rua", que marcaram o fim da minha infância, início da adolescência, resistiram ao furor das mudanças! Foram todos fechados, já não se adequavam aos novos tempos, tempos esses em que o espaço é cada vez mais disputado pelas máquinas e uma delas, o carro, precisa de um lugar apropriado para estacionar. Salvador tem uma população aproximada de 2 milhões e 700 mil habitantes, desses, apenas 8% podem frequentar as salas, fico me perguntando qual é o percentual que frequenta, não nos esqueçamos que todos os cinemas hoje estão nos shoppings centers!
.
Em Salvador, alguns cinemas de rua se localizavam na Baixa dos Sapateiros, que nada mais é que uma movimentada "avenida" (rua Dr. J. J. Seabra), onde grande parte da população de renda "curta" fazia, ou faz, suas compras; se pegarmos uma imagem contemporânea, poderíamos compará-la a um grande "shopping" a céu aberto, embora, por estranha ironia, lá, também, já existe um shopping center! É, sinal dos tempos, a Baixa dos Sapateiros que foi cantada em prosa e versos, em tempos áureos, por Ary Barroso, vive hoje uma angustiante ruína !
.
Havia ali 4 cinemas em um espaço de pouco menos de 5 km; sei que parece brincadeira, se compararmos aos formatos atuais, mas é verdade, quase um cinema por km e com um agravante para os dias de hoje, sem espaço algum para estacionamento! Seria impossível naquele lugar, com aquelas dimensões, termos cinemas na forma como o espaço está organizado hoje em dia, muito provavelmente teríamos o caos instaurado! Três deles (chamados popularmente de "poeira", por seus ingressos serem mais baratos) ficavam, poderíamos dizer, no gargalo, no trecho de maior confluência de pessoas, misturados com lojas, veículos e camelôs.
.
Infelizmente, os cinemas Pax, Aliança, Jandaia se transformaram em "peças" de museu, às avessas, enquanto o Tupy, o mais "elitista" deles, também não resistiu à falência da Baixa dos Sapateiros, caiu nas graças da Igreja Universal do Reino de Deus, como aconteceu a muitos dos cinemas de rua espalhados pelo Brasil! O interessante é que a forma como foram se acabando foi muito parecida. A degradação da cidade os acampanhou! Na realidade, talvez a retirada da Administração do Estado do centro da cidade, adicionada à "cultura" do shopping center sejam duas das causas do enfraquecimento do comércio naquela área! Nesta história, o Aliança virou loja de confecções; o Pax foi ocupado pelo movimento dos sem-teto, mas continua "abandonado". Bem, quanto ao Cine Jandaia, a foto destacada fala, infelizmente, mais que mil palavras, mas, o menino/adolescente em mim, gostaria que fosse diferente...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Cláudio Assis, um brasileiro que incomoda...

"Quem não reage, rasteja!" Essa frase, dita de forma apaixonada pelo cineasta pernambucano Cláudio Assis, diretor do aclamado "Baixio das Bestas", mostra que existem pessoas fazendo cinema para além da formatação do consumo, outrossim que temos que acreditar em nossa potencialidade, o cinema brasileiro não precisa viver submisso ao modelo industrial hollywoodiano! Cinema é muito mais que mero entretenimento, é para meter o dedo na ferida e é isso que esse brasileiro faz de forma intensa e avassaladora! Não quer falar sozinho, mas não quer subserviência, quer a reação do outro, afirma que viver sem perguntar o porquê das coisas é viver vida de gado! Precisamos reagir! Neste seu segundo longa, anuncia com todas as letras que é um cineasta que quer discutir os problemas brasileiros, sem ocultar nada, é favorável à "fratura exposta"! O jeito de falar, as provocações que faz podem chocar àqueles que adoram a pasteurização da cultura brasileira, que vivem a vida à margem da história!
.
O impacto de seu primeiro filme, só foi minimizado por algumas manifestações do diretor, por não "entender" certas atitudes de elementos que julgaram seu "Amarelo Manga"! Exemplo disso aconteceu naquele Grande Prêmio TAM do Cinema Brasileiro, em 2004, cujo vencedor foi "O homem que copiava" de Jorge Furtado; seu filme levou apenas a fotografia. Naquela noite, num rompante quando Babenco subiu ao palco para receber o prêmio pela co-direção, chamou-o de imbecil, criando um certo "embaraço" com essa atitude, mas dentro da hipocrisia social que premiações desse tipo oferecem, quem diria aquilo, mesmo que sentisse vontade? Pois é, esse brasileiro quer fazer cinema que "respire" e diz em alto e bom som: "eu não faço concessão a nada nem a ninguém". O filme de Assis tem o cheiro do Recife, tem o cheiro do mundo, não há nenhuma relação com o formato da Globo Filmes cujo objetivo final é levar a novela das oito para a telona!
.
Ouvir Cláudio Assis falar de cinema, é ouvir alguém que pensa e faz arte para além da caixa registradora! A cultura discutida sem vinculação com o consumo puro e simples! Neste sentido, o diretor fez algo que derruba as teses que hierarquizam a arte, colocando-a no lusco-fusco erudita e popular! Promoveu uma sessão e, diferente dos R$ 18,00 reais cobrados pelos cinemas da vida, cobrou apenas 1 real, é isso mesmo, apenas um real...treze mil pessoas foram assistir o "Baixio das Bestas"! E ele ainda ironizou: "se fosse de graça, dobrava!" Pensando bem, fala-se que o povo não gosta de música clásssica, teatro...como pode gostar se não é possível pagar! Num cálculo aproximado, chega-se a conclusão que para assistir a um filme, o sujeito gasta em média, se levar a companheira, R$ 60,00 reais; para quem ganha R$ 380,00 reais, isso representa cerca de 16% do seu salário, imaginem aí, gastar esse percentual em apenas um final de semana e só no lazer! O que podemos depreender do fato? Simples, o sujeito não tem acesso, portanto, as teses hierárquicas vencem sempre! Coisas ruins são feitas e coloca-se o rótulo de popular! Fica mais fácil conversar com as "minorias" se essas não têm poder de escolha, dando-lhes aqueles "filmes" da Xuxa em doses cavalares, tirando-lhes qualquer possibilidade de comparação e escolha...O cinema de Assis não rasteja, muito pelo contrário, reage, coloca na mesa da classe que dirige e determina o cheiro fétido que vem das entranhas da sociedade, desnudando a hipocrisia e subserviência que grassam na arte e cultura brasileiras...