quinta-feira, 21 de maio de 2009

A "bela" vida do menino de pijama listrado...

Há alguns anos, participei de um curso com um professor cuja obra era uma referência para mim. Diria que foi o encontro do leitor cuidadoso com um autor criativo. A pergunta que me fazia era se criador e criatura se espelhariam. É fato que nem sempre um e outra se assemelham! Na verdade, o professor se mostrou uma pessoa extremamente generosa, preenchendo todas as expectativas. Numa de nossas aulas, conversávamos sobre o filme de Roberto Benigni, A vida é bela, a sensação daquele momento, quando eu, talvez para impressioná-lo, dissera que aquela história era por demais inverossímil: "como poderia uma criança passar o tempo inteiro num campo de concentração e acreditar que aquilo tudo não passava de um jogo?" Ele nem sequer pigarreou, respondeu de chofre: "A arte não tem que ser verossímil!" A frase saiu de forma tão intensa que não me deixou outra alternativa a não ser concordar! Sim, quem disse que a arte tinha que ser verossímil? lembrei imediatamente dos quadros de Salvador Dali, Modigliani, Tarsila do Amaral que fugiram completamente do "padrão", então não havia como discordar, o velho professor estava coberto de razão!
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Desde então, todas as vezes que me deparo com algo parecido, aquela frase me vem à memória! Não tive como evitar a lembrança daquele professor quando terminei de ver o filme O menino do pijama listrado. Neste filme, como no de Benigni, temos uma criança que não "percebe" que vive num mundo em guerra, sequer faz idéia das atrocidades que são cometidas nem o que é um campo de extermínio nazista, mas fica "curioso" com o cheiro exalado pelas chaminés próximas a sua casa. Na realidade, são dois meninos de pijama. Ambos têm oito anos, um está na parte de dentro da cerca do campo de extermínio, o outro é filho do oficial alemão que administra o tal campo. Façamos, neste momento, uma digressão necessária. Todos já devem ter percebido como filmes cujo enredo destaca o holocausto são recorrentes. Exemplos temos aos montes, podemos citar: A lista de Schindler, A vida é bela, O pianista, O leitor, O menino do pijama listrado, entre muitos. Há um filme impactante sobre a temática, quase sempre, a cada dois anos. O deste ano foi "O leitor"Não estou querendo com isso dizer que devemos esquecer as barbaridades cometidas por Hitler e seus comandados, mas o cerne da história é sempre o mesmo. Temos que lembrar constantemente o que houve para que isso não se repita novamente, mas essa repetição ad aeternum soa forçada. Há outras atrocidades cometidas por portugueses, ingleses, americanos contra índios, negros e ciganos  que não têm essa "mídia"! Por que não vemos essa mesma recorrência, por exemplo, com a Questão Palestina.  Aliás, quando os filmes dão destaque aos palestinos, são sempre eles os terroristas!
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Mas voltemos à história d'o menino do pijama listrado. No filme, por uma grande ironia, a criança do lado de dentro da cerca e a de fora dela se tornam amigas! Como a de fora sequer imagina o que acontece do lado de dentro da cerca, sente-se solitária, já que não tem ninguém para brincar, enquanto seu novo amigo do outro lado da cerca tem uma quantidade enorme de amigos para se divertir, sente inveja daquele mundo onde os pijamas são listrados! A amizade faz com que ambos joguem desde bola a damas, claro que cada um do seu lado da cerca. Vendo essas cenas, aquela frase do professor não me saía da cabeça, mas não posso deixar de dizer que as achei patéticas! Para piorar minha situação, o pai do menino de dentro "desaparece". Segundo o menino de dentro, saíra com alguns soldados e não fora mais visto. Esse desaparecimento, leva o menino de fora a pensar num "jogo" para encontrar o pai do amigo! Pede então que o amigo arranje um pijama para ele e entra no campo...Não vou contar o que acontece, mesmo porque é bom que cada um possa ver e pensar a respeito, apesar de tudo isso, continuo concordando com a frase do velho professor, sim, a arte não tem que ser verossímil, o que mudou é que nem  "a vida é bela" nem "o menino do pijama listrado"  são Arte no strictu sensu, na verdade, não passam de simples entretenimento, nada mais que isso, neste sentido, o velho professor se enganou...

7 comentários:

jonatan disse...

kkkkkkkkkk
imagino quem possa ser o velho professor

Manoel Gomes disse...

Você imagina ou tem certeza? Como vai meu camarada? Sabe que é sempre bom saber que você está por perto...beijo

wager matias disse...

Nesta semana chegou aqui na escola o livro que originou este filme, como não tenho o filme vou ler o livro. Mas, concordo com o prof. Arte é fonte de reflexão e não precisa ser verssimil para causar isso. Abraço

Manoel Gomes disse...

Wagner, o livro é sobre o menino do pijama ou a vida é bela? Quanto a questão da arte, é isso mesmo, não tem que ser verossímil, mas nem tudo que provoca lágrimas ou emoção pode ser chamado de arte, como é o caso de "A vida é bela"...

wager matias disse...

O livrro é o mmenino di pijama listrado.

jonatan disse...

quero ler tb

Manoel Gomes disse...

Jonatan, espero que Wagner empreste, não é? Afinal, diretores são diretores, rsrsrssrsrs