quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Contradições Bancárias...

Levantou de manhãzinha, na verdade, fora despertado pelo toque doce e suave do celular! Coisa estranha desse nosso tempo, o antigo despertador perdeu totalmente a função: nos acordar para o "batente"! Se antes o barulho desses relógios era impactante, hoje, esses novos aparelhinhos nos acordam com o som que desejarmos! Temos do clássico ao brega! De Chopin a Chitãozinho e Chororó, os sons do celular "embalam" nossos dias! Na realidade, sons que ao invés de nos acordar, aprofundam os nossos sonhos! Mas eu falava que o sujeito acordara cedo, naquele dia. Tinha algumas coisas para fazer, tais como: pagar algumas contas, trocar o endereço das correspondências, enfim, tarefas rotineiras, típicas de um cidadão comum!
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O fato é que sentia uma verdadeira raiva de bancos! Aliás, quem não tem uma história de banco para contar! Quem nunca foi surpreendido por aquele sujeito que entra e logo é atendido porque conhece ou gerente ou aquela atendente gostosa, enquanto a maioria dos pobres mortais sofrem nas longas filas? Um camarada me falou que o melhor lugar para quem quer ficar estressado é em agência bancária! Contudo, naquele dia, seria diferente, nada tiraria o humor do nosso herói, afinal, fora despertado por Adriana Calcanhotto! Não, não, dissera ele, aquele dia não seria igual a tantos outros!
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Entrou confiante na agência e fez o que, costumeiramente, todo mundo faz, ou seja, colocou chaves, celular e outros pertences capazes de travar a porta giratória, naquele tosco recipiente de acrílico! Uma coisa sempre o intrigara: será que alguém que vai assaltar um banco, ou qualquer coisa que o valha, costuma entrar na porta giratória com uma metralhadora? Na verdade, pensara, essas portas foram forjadas para irritar o correntista comum, aquele que esquece justamente a chave da mala do filho que fora colocada no seu bolso, levando a tal da porta a aprisioná-lo. Aliás, falando de porta, já notaram o prazer mórbido que aqueles guardinhas dos bancos sentem ao nos ver presos naquela geringonça? E quantas vezes, mesmo com algo de metal no bolso, quando eles querem e desejam, elas se destravam como num passe de mágica?!
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Mas essas eram coisas que não conseguiam irritar nosso amigo, naquela manhã de dezembro! Foi até a maquina, retirou sua senha e esperou. Pretendia fazer três pequenas coisas: ampliar o limite do cartão, alterar seus dados pessoais e trocar o endereço de correspondência, tudo, como vemos, muito simples! O mais incrível é que mesmo o natal estando próximo, sua senha fora a de número 3! Tudo levava a crer que o dia prometia! Foi chamado quase que imediatamente e, para sua alegria, o atendente era o mesmo que gerenciava a sua conta, "que maravilha", exclamou! Pela primeira vez na vida não haveria nenhum estresse bancário!
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Para simplificar, começou pelo mais fácil: a troca de endereço, pelo menos foi o que ele pensou! Ao término da sua solicitação, a mesa do outro lado perguntou: trouxe algum documento que prove que você mora onde diz? Atônito e surpreso, balbuciou, não, e precisa? Quero apenas que minhas correspondências vão para esse endereço! No que a mesa retrucou: como posso saber que você é você mesmo? Calmamente respondeu: eu estou dizendo que eu sou eu e minha cédula de identidade me identifica, sabia que era redundante, mas fazer o que?! A mesa impassível respondeu, ainda assim, preciso de algum comprovante que confirme que você mora onde diz que mora! Notara que sua palavra nada valia, aquilo começara a ficar surreal, nosso herói não resistiu, começando a atirar seus documentos para todos os lados, completamente furioso, afirmando que caso o endereço não fosse alterado, entraria em contato, imediatamenteo, com a ouvidoria! Neste momento, por uma estranha razão, a mesa caiu em si! O anúncio da palavra mágica OUVIDORIA, mudou o rumo da conversa! A mesa disse que estaria quebrando o protocolo, mas que mudaria o endereço! O mais curioso é que semanas antes, um atendente do mesmo banco dissera que não precisava de identidade para que se fizesse uma transferência de valores, contudo para mudar o endereço, que poderia ser alterado pela internet, era necessário comprovante de residência e, caso o sujeito morasse de aluguel, uma cópia do contrato! Moral da história: para o banco é mais importante que você comprove em que lugar está morando do que facilitar a saída do seu dinheiro, neste caso, os fascínoras agradecem..

Um comentário:

Manuela Cassia Silveira disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Nosso herói só esqueceu de uma coisa: os bancos SEMPRE fazem de tudo para tumultuar seu dia. Independentemente da transação, não importa. O negócio é te estressar. Quando é simples, ficamos até assustados, tamanho nosso costume com a BURROCRACIA BANCARIA!