domingo, 27 de dezembro de 2015

Smartphone, WhatsApp e solidão...


 
Nestes tempos em que talvez o mais desejado dos smartphones tenha o nome de Iphone (ai de mim) e tudo parece tão claro, compreensível, à mão, resolvível num toque, que não há mais necessidade de reflexões filosóficas para entendermos nosso cotidiano. A minha ambição e a de 10 entre 10 pessoas é ter um celular cuja capacidade seja a de se apoderar do mundo num simples click, que atenda às necessidades mais comezinhas e que tenha a potência de tirar fotos com uma definição que me permita ver aquela ruga que o photoshop não conseguiu esconder, assim como, gravar vídeos em ultra definição. O papel do telefone inteligente é nos permitir ter tudo e todos à mão, agora o mundo nos pertence, é a realização do maior dos sonhos do big brother, de 1984, ter o domínio da vida a sua mercê. Estamos todos conectados, somos uma aldeia global, não há mais fronteiras a nos tolher, que coisa boa, não é? Observem, a tecnologia fez aquilo que levamos anos a fio e não conseguimos que era mostrar que independentemente do lugar em você esteja e por mais simples que seja o smartphone, basta um click, seja na África faminta ou no frio Canadá, a metáfora do Iphone se materializou, eu sou o celular e o celular sou eu. 
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Neste sentido, em razão de estarmos em período de confraternização, nas horas que antecederam a noite de natal, meu smartphone não parava de  emitir tantos sons que chegaram a me enjoar, nada mais eram que um tsunami de mensagens me desejando feliz natal e próspero ano novo se repetindo a cada minuto. Como sou popular, tenho milhares de contatos e quase todos, não serei pretensioso para dizer que todos, me desejando boas festas, muito iguais, pareciam os famigerados control c, control v. Neste momento, percebi o quanto ter o whatsApp instalado é importante, existem outros, eu sei, talvez até mais atraentes, porém esse pertence ao dono do facebook, o sujeito que dispõe de dados importantes sobre nossa vida em suas mãos, o que quero dizer é que esse aplicativo todo mundo tem, nesse caso, como todos pertencem à rede social do senhor Zuckerberg, o ciclo se fecha, estamos todos num só lugar, juntos e misturados, não, não vou aspear, somos todos um só corpo, o celular é um grande organismo, razão pela qual é chamado de inteligente, onde cada contato é uma célula que precisa pulsar para nos manter vivos, logo, conectados! Nós somos um celular em busca da vida eterna, que se resume em ter uma bateria incapaz de descarregar, esse é nosso maior medo, esse artefato insiste em nos tirar da "rede" todas as vezes em que inopinadamente descarrega, nossa capacidade de comunicação se cala, mas ela não perde por esperar, como a tecnologia se desenvolve a passos largos, é muito provável que a bateria infinita esteja por um triz e, em breve, teremos aquela que ao mesmo tempo em que se gasta simultaneamente se carrega, e aí, verdadeiramente, estaremos ligados não apenas 24 horas, mas todas as horas da vida!
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O caso curioso que aconteceu recentemente quando a justiça brasileira suspendeu a utilização do WhatsApp por 48 horas, que, por questões óbvias, não chegaram a tanto, comprova a "importância" desse aplicativo em nossa comunicação diária, sem ele, ficamos literalmente mudos, aliás, isso é tão significativo que repercutiu em todos os quadrantes do universo, obrigando o dono do facewhatsApp a se manifestar e, o que mostra o quão esse cara é poderoso, exercer pressão decisiva sobre a justiça do país! Vejam vocês como as ironias vão se avolumando neste mundo do telefone inteligente, as pessoas ficaram desesperadas porque foram impedidas de trocar mensagens com seus contatos, esqueceram que bastava ligar, o que para alguns "betas" se resume a parcos centavos ou estamos tão sem dinheiro ou sem nenhuma afetividade que nem gastar centavos com os "amigos" somos capazes?! Tenho um filho que mora, mais ou menos, a 3 ou 4 km de distância, não o vejo desde o dia 07/08/2015, não nos falamos a cinco meses, porém temos trocado mensagens via whatsApp regularmente, curtas, é verdade, algumas sem sentido, percebo que neste mundo cheio de tecnologia, estamos cada vez menos vendo os olhos das pessoas, não as escutamos mais, elas não ligam, e, caso o WhatsApp seja bloqueado por um tempo, esqueceremos que elas existem!? Um poeta dissera certa feita, "há mais solidão no aeroporto que num quarto de hotel barato", e eu, pensando cá comigo, digo, temos o mundo em nossas mãos, mas estamos tão sozinhos com nosso aplicativo gratuito no celular...  

4 comentários:

Manuela Cassia disse...

No meu aniversário de 2015, recebi mais mensagens de felicitações pelo facewhatsapp (gostei!) do que ligações. Conto nos meus dedos. Ganhei felicitações de gente que nunca vi na vida! A tecnologia aproximou e nos afastou com a mesma intensidade. Se estamos mais conectados, acabamos por estarmos mais distantes. Um dos muitos "memes" que vi, dizia "agora vou poder conversar com algumas pessoas que vivem na minha casa, ou seja, minha família". Eu ri, pois lembrei de minha mãe falando q fico mais no celular do que conversando com ela.Que ironia, não?! Fiquei reflexiva...

Anônimo disse...

Bem reflexivo o texto. Confesso que resisti para aderir ão watzap, porém, fui vencida por argumentos baratos acerca da importância da utilização de tal aplicativo, especialmente no ambiente de trabalho. Particularmente, não percebo tanta necessidade quanto se propagam por aí. Na verdade prefiro ouvir a voz das pessoas, não posso negar que quando estou sem crédito acabo por me beneficiar com tal aplicativo.Agora até consigo manter contato com algumas pessoas, o que antes não acontecia tendo em vista que ligava e as mesmas não atendia, mas sinto uma distância enorme, talvez por gostar de contato, de abraço, de ouvir a voz, de ver ou ouvir um sorriso verdadeiro e sentir a emoção do contato com alguém querido... Gosto do calor humano tanto que decidir desativar o watzap no mês do meu aniversário. Entenda, em 2015 tive a oportunidade de receber bastante abraços e vir pessoas receberem bastante mensagens via watzap e poucos abraços, então pensei: prefiro mais uma vez os abraços ou ouvir a voz.Ainda que não seja tantos, não importa a quantidade se vier com "qualidade". Não estou dizendo que as felicitações ou qualquer outra coisa enviadas pelo aplicativo aqui citado não são verdadeiras, longe disto.

Manoel Gomes disse...

Ainda bem que, mesmo com essa avalanche de tecnologia a nos rodear, conseguimos nos olhar nos olhos, filha...

Manoel Gomes disse...

É,nada substitui um abraço ou som de uma voz amiga...gostei muito