sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Doação de órgãos...

Sei o quanto este assunto é delicado, nem sei se é temática para ser discutida num espaço como esse, espero não cair na vala comum que muitas vezes terminamos caindo quando abordamos essa questão, mas a série de reportagens da TV Globo, na sua parcialidade, provocaram-me, por duas razões; a primeira é de ordem bem pessoal. Nunca fui muito a favor daquela "imposição" no documento de identidade, em que cada um era considerado como um doador em potencial, caso não se opusesse, o que não deixava de ser leviano; a segunda é de ordem política, todo mundo sabe que a saúde é uma mercadoria muito CARA aqui e alhures e que nem todos têm acesso a ela, embora o texto constitucional diga com todas as letras que é um direito de todos e dever do Estado, o atendimento oferecido aos usuários do SUS mostra que "há algo de podre no reino da Dinamarca". Olha, meu camarada, se você não tiver um planozinho de saúde alternativo, tenha certeza que suas chances de sobreviver às doenças, mesmo as mais comezinhas, estão bastante diminuídas.
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Há dois sentimentos básicos em relação aos transplantes, se por um lado é extremamente doloroso para quem perdeu alguém e ter que, racionalmente, ceder "partes" do ente querido para que alguém possa viver, por outro, torna-se uma abertura de novos horizontes para quem ganhou os órgãos! Existem histórias de todas as nuances, a referida emissora resolveu escolher os casos bem sucedidos, muito provavelmente para estimular as doações. Há um filme com Denzel Washington, Um ato de coragem, em que a questão é também discutida. Mostra um pai que não tem nem dinheiro nem plano de saúde. A alternativa que ele encontra é tomar como refém um grupo de pessoas em um hospital, para negociar a salvação do menino! Tanto lá, quanto cá, sem grana é preciso fazer malabarismos para ser tratado com dignidade! O filme começa mostrando uma imprudência na estrada, cuja conseqüência é a morte do futuro doador! Não há como negar que esse tipo de situação, traz em si, um desejo "assassino" de quem espera pelo transplante. Na realidade, aquele que está na fila de espera, fica "desejando", ardentemente, que apareça "alguém" para doar seus órgãos, e assim lhe dar a oportunidade de viver. Guardadas as devidas proporções, a situação é muito parecida com a que vive o agente funerário, ou seja, o negócio dele é a morte dos outros!
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Entre a série de depoimentos que a Globo selecionou, houve o de uma mulher que esperou por cinco anos. Seu contentamento era visível, já podia dirigir sozinha, ser uma pessoa, além da emoção por estar livre do sofrimento da espera pelo órgão, no caso dela, foram os rins e o pâncreas! Entre lágrimas, falava da felicidade e planos! Exceto o tom que era de emocionar a qualquer custo, a lição que fica é a de que é preciso mais que depoimentos para convencer às pessoas da importância do ato de doar, porque se por um lado, um corpo voltar a sorrir, volta a viver; por outro, têm aqueles que choram com a perda, isso para os casos em que os doadores têm que morrer! Um paradoxo difícil de ser superado, sem que caiamos na pieguice do choro fácil e/ou do incentivo à solidariedade barata! O mais grave nisso tudo é que como os serviços de saúde são precários, na maioria dos estados brasileiros, muitos nem conseguem o básico, ou seja, remédio para um simples resfriado, então, como é que zé ninguém terá à sua disposição a tecnologia de ponta e por conseguinte, condições de fazer um transplante? Não nos esqueçamos que nesta divisão em classes sociais, os mais privilegiados vão a Cleveland fazer check up do coração! A verdade é que temos uma luta perversa entre miseráveis, pobres,"remediados" e ricos e, mais uma vez, a classe social, embora muitos neguem a luta de classes, vai ser determinante para que a pessoa tenha acesso à vida ou morra por não ter um famigerado plano de saúde...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Mulheres...

Era uma apresentação do contrabaixista Edwin Pitre, no canal SESCTV, e a primeira imagem mostrada é de uma mulher, cheia de energia, sorrindo, com uma felicidade transbordante, tocando percussão! Havia um prazer no toque das mãos no tambor que maravilhava! Uma delícia de se ouvir, lindo de se ver! Facilmente, poderia-se dizer que a mistura passeava por ritmos caribenhos, aportando no Brasil de forma tranquila e provocante! Sim, o jazz estava presente naquela onda de sons e melodias! Mas o som que a menina tirava dos instrumentos percussivos era muito belo e dava um colorido todo especial ao evento!
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Na realidade, gosto de ver mulheres fazendo aquilo que geralmente está "reservado" aos homens, negando aquele negócio de que a pessoa nasce com o dom para ser isso ou aquilo! Pense bem, se a Marta, considerada a melhor jogadora de futebol do mundo, tivesse nascido em Kabul, no Afeganistão, teria condições de fazer o que ela faz? Gostava de ir aos shows da Cassia Eller para vê-la cantar e tocar, mas também ouvir a Lan, percussionista da banda, "percussionar", havia uma intensidade tribal no "som" que ela fazia! No caso da percussão, é muito comum além de ser um espaço masculino, está reservado aos pretos, são eles os chamados para manusear os tambores e afins, culturalmente, são os que ficam na "cozinha" da música!
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Outrossim, é bom de se ver mulheres dirigindo caminhões! Vê-las manipulando e com desenvoltura, às vezes, superior aos homens é bárbaro! Quebra a lógica instituída pelas hordas masculinas. Para elas fazer determinadas coisas, dirigir caminhões é um bom exemplo, é um teste diário, têm que matar um leão a cada hora! Quando no trânsito há uma "barberagem" e quem cometeu o "delito" foi uma mulher, os defensores da tese do inato, vibram, afinal, há uma confirmação daquilo que eles acreditam ser a verdade absoluta: mulher não nasceu para dirigir! Contudo as estatísticas mostram que os acidentes causados por mulheres são muito pequenos, comparados aos causados pelos marmanjos! É bem provável que se diga que o número de mulheres dirigindo é menor, por isso essa evidência! Na verdade, quem trabalha com aprendizagem e desenvolvimento numa perspectiva histórico-cultural sabe que para além da força muscular, o meio social é o elemento fundamental na apropriação do conhecimento por parte do indivíduo, seja mulher ou homem!
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E por último, mas não a última, falemos de Cecília Kerche, primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em entrevista na TVE, no programa Re(corte)cultural, ela falou de seu projeto de mundo, como deve ser a iniciação para a dança, quais devem ser os objetivos. Disse, ainda, que tinha como meta chegar no lugar em que chegou aos vinte e cinco anos e conseguiu! Na conversa, é perceptível que é uma apaixonada pelo que faz, mais do que isso, é uma apologista descomensurada, diria que é quase "cega"! Afirmou que as possibilidades de emocionar, entreter, fazer chorar, tudo isso sem enunciar uma palavra sequer, faz da dança a arte mais completa que existe! Em tom professoral disse uma coisa que venho tentando negar, incisivamente, nesta peroração: "Não é você quem escolhe o ballet, é o ballet quem te escolhe"! Será? Isso não parece uma certeza absoluta? Então, responda sem pestanejar: alguém escolhe ser gari ou é o lixo quem escolhe o sujeito? Geralmente os que têm "talento", dificilmente conseguem escapar desta percepção metafísica, são os "escolhidos", jamais, em tempo algum, percebem que as condições econômico-sociais são determinantes nas nossas escolhas, terminam na sua "santa ingenuidade", referendando o discurso perverso do preconceito: do mais ágil, mais forte, mais veloz, mal sabem eles que é por isso que filho de médico é "doutor"...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Mônica Veloso, a balzaquiana nua...

Uma pessoa muito querida me enviou um torpedo, indignada, quando soube que o senador Renan Calheiros fora absolvido! Dissera ela que aquilo era algo indecente, inaceitável e que a partir daquele momento estaria entre aqueles que renegariam o status quo! O senado perdera o respeito dos cidadãos brasileiros com aquela atitude! Na realidade, imaginara que ela já estava entre aqueles que repudiavam as relações sob o manto capitalista! Contudo, surpreso fiquei eu quando, inadvertidamente, assistia àquele programa que deixa o domingo com um cara de ressaca, e vi e ouvi Mônica Veloso, a "namorada" de Calheiros, dizer que pousou nua e que ficou lisonjeada por ter sido convidada já que é uma mulher considerada "velha" para os padrões da revista! Não, não sou hipócrita! Não tenho nada contra as mulheres posarem para revistas masculinas como se fora pedaços de carne expostos no balcão do açougue, ali da esquina, ainda que se diga que o objetivo é "artístico", no fundo o que se quer é estimular a libido de homens e mulheres nos quartos, banheiros e afins, embora seja, neste caso, de extremo mau gosto, devido às circunstâncias do caso!
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Não bastasse a certeza de que há propina no caso, já que o amigo lobista era quem fazia os pagamentos, embora ele tenha sido "inocentado"! Quem sabe não pudéssemos ser preservados da encenação novelesca da relação extra conjugal do senador? No caso, a hipocrisia andou solta pois muitos daqueles que franziam o nariz para a situação, não podem ser considerados acima de qualquer "suspeita", muito pelo contrário, é bem possível que uma devassa mais intensa mostrasse o lado podre de muitos daqueles que posam de bons moços e que andaram atirando pedras no Renan! A Mônica já anunciou que gostaria de voltar a trabalhar na tv, mostrando os bastidores de Brasília, isso vai depender da saída do ensaio. Ela espera que a revista seja um sucesso, terá participação nas vendas! Fala-se tanto em ética, inclusive o senado tem um "lugar" em que ela é discutida, foi difícil suportar esse lenga-lenga, mas de escândalo em escândalo vamos nos acostumando, é bem possível que surjam, muito em breve, teses dizendo que somos um povo que temos o escândalo no sangue, quem já esqueceu o caso dos anões do orçamento! Todos sabemos que a filha fora do casamento era a ponta do iceberg, perdoem-me o lugar comum, o indecente e agravante é ter um senador da república usando abertamente um senhor para pagar suas dívidas (um advogado resolveria a contenda com conhecimento de causa, como o faz a Mônica Veloso!) que tem interesses financeiros no senado e que Renan Calheiros poderia beneficiá-lo! Dirão os aliados, entre eles o presidente da república: "nada foi provado, portanto, ele é inocente"!
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Mônica Veloso no meio de toda essa lama, o tempo inteiro parecia alguém que tinha sido vítima do lobo mau, mostrou a todo o país que Renan Calheiros era um farsante e mentiroso, negando grande parte dos seus argumentos, afirmando, inclusive, que não era amiga comum de Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, como dissera o senador! Sem querer posar de moralista, no fogo cruzado que se tornou essa "aventura" senatorial, ficava pensando na menina, na filha que ambos, no momento de prazer, geraram, e que em nenhum momento foi preservada. Fico me perguntando como vai ser sua relação com outras crianças, criança às vezes, é tão "cruel"! Que pessoa infeliz pode vir a ser essa menina bastarda! É filha de Renan Calheiros, e não bastasse isso, irá receber outro presente para fechar esse espetáculo dantesco, com chave de ouro. Sua mãe vai estar promovendo, por uns tempos, para ganhar uns "trocados", é verdade, um festival de masturbação pelo país afora! A não ser que tenha a "doce ilusão" de que as pessoas que tiverem acesso às fotos, façam isso por causa do caráter artístico e compre a revista para saber qual é a cor dos seus olhos e sequer olhem para os outros "olhos" da balzaquiana...

sábado, 15 de setembro de 2007

Comunistas...

Na canção "Mulheres de Atenas", de Chico Buarque e Augusto Boal, há um ultimatum para aqueles que não compactuam com as injustiças, os autores apontam um exemplo de estratégia para sobreviver aos que querem nos fazer aceitar o mundo como ele é, na realidade, uma bela metáfora! "Mirem-se no exemplo daquelas mulheres", é o que eles dizem! Uma analogia possível seria: mirem-se no exemplo de Marx, um burguês, que abriu mão de todas as comodidades que a vida lhe ofereceu para, a partir da dialética materialista, transformar o mundo, ao invés de apenas pensá-lo, neste sentido, alterar o curso da vida daqueles que, diferente dele, não tinham acesso à comodidade nenhuma!
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Nascida por volta do século dezenove, a elaboração de Marx e Engels consegue fazer uma radiografia sem retoques do modo de produção capitalista, uma ruptura epistemológica de dimensões gigantescas! Tendo sofrido as mais variadas privações, convivido com toda espécie de desencanto e, ainda assim, não ter cedido um só milímetro naquilo que acreditava, deve, sim, ser um exemplo a ser seguido! Em seu projeto a humanidade era mais importante do que ter coisas, possuir objetos! Vemos muitos dos que dizem que querem outra possibilidade que não a que vivemos hoje, não ir além das "letras" escritas pelo Alemão. Ele disse, na 11ª tese sobre Feuerbach, que o mundo precisava ser transformado, não fazia um discurso, o discurso estava em sua pele, em seus atos e ações. O que vemos, hoje, são "comunistas" que não têm a fortaleza, para, assim como ele, ir além do texto! Quantos se dizem comunistas e não conseguem materializar sua ações mais corriqueiras, na verdade, são tão reacionários quanto aqueles que criticam de forma tão vociferante. Quantos se dizem comunistas e no fundo de suas consciências são os defensores mais ferrenhos da propriedade privada, quase sem "querer", são partidários da divisão social do trabalho, embora pensem que não!
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Muitos dos que se consideram comunistas não podem ficar apenas nas palavras, para isso, não podem perder de vista que pensar dialeticamente é entender a realidade como contraditória! Precisa-se voltar ao texto para entender o real e estar no real para entender o texto. Questiona-se: e qual é o texto que se torna fundamental neste momento? Muitos dos que se diziam de esquerda, hoje, estão fazendo o discurso em que não se sabe para onde eles apontam, ou seja, são pós-tudo, menos o que dizem que são! Passados mais de 150 anos da sua elaboração, não nos esqueçamos que foi escrito por volta de 1845/1846, é de fundamental importância estudarmos A Ideologia Alemã! Os que se dizem marxistas não podem deixar de estar sempre voltando a este texto. Está tudo lá. Nesta obra, Marx e Engels fazem a primeira exposição do Materialismo Histórico tendo os jovens hegelianos como anteparo para as suas mais finas ironias! Em todas as letras eles dizem: "O modo de produção da vida material determina o caráter geral dos processos da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens o que lhes determina a realidade objetiva, mas, ao contrário, a realidade social é que lhes determina a consciência". Voltemos, pois, ao texto antes de pensarmos que somos mais do que somos, antes de acharmos que já sabemos mais do que pensamos que sabemos, antes de afirmarmos que somos quando, na realidade, não passamos de crianças, pensando que somos revolucionários, mas que, no fundo, no fundo, não passamos de conservadores insignes...

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Esporte (não) é vida...

Fomos "surpreendidos" mais uma vez com as mortes de atletas quase "dentro" das nossas casas! O fato é que a imagem do jogador camaronês Marc Vivien Foe, revirando os olhos, visto por milhões que acompanhavam a partida pela televisão em 2003, permanece na lembrança e ainda causa um certo desconforto! Mas os casos não pararam por aí, muitos outros semelhantes se seguiram! Aqui tivemos a morte de Serginho, do São Caetano, no jogo contra o São Paulo, que quase foi uma cópia do que aconteceu com o atleta camaronês, o jogador desabou em campo e as cenas que acompanharam o episódio, foram impactantes! O caso mais recente, e já nem tão recente assim, depois dele houve mais dois, foi o do lateral Antonio Puerta de 22 anos que morreu no hospital em que foi internado, após ter sofrido parada cardíaca numa partida, pela primeira rodada do Campeonato Espanhol! O tom trágico desses acontecimentos é que quando acontecem os holofotes da mídia, não sei se de forma sádica, localiza outros tantos, confirmando o perigo que ronda os estádios mundo afora, mas ao mesmo tempo que clama por providências, percebe-se nas entrelinhas que a mensagem, nem tão subliminar, é que o espetáculo não pode parar! No cotidiano, as certezas são as armadilhas que vamos acumulando e, quase sempre, nos tornamos reféns! Quando achamos que algo é bom para a nossa saúde ou qualquer coisa que o valha, referenciados nesta certeza, recomendamos imediatamente para os outros, entendendo que não há nenhuma chance de acontecer o inverso, é neste momento que entra o tal do discurso "científico" em que todo mundo se torna igual, ora, se serviu para beltrano, por que não servirá para sicrano? O exemplo típico disso, pode ser visto na automedicação. Se um remédio fez bem para alguém que teve dor de barriga, logo deverá servir para todos os sujeitos indistintamente! A nossa velha e conhecida indução, a partir de alguns casos faz-se a generalização!
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Um autor brasileiro, Dr. José Róiz, escreveu um livro chamado Esporte mata! que deveria estar em muitas escolas de Educação Física espalhadas aqui e alhures, em última instância, até para provocar o debate em torno de assunto tão polêmico, contudo, pelo menos por essas bandas, foi muito pouco divulgado, percebemos que muitos professores desdenharam, procurando desqualificar a obra, por essa estar fazendo uma afirmação contundente, num momento em que uma grande emissora de TV queria convencer que esporte era vida! Róiz era incansável na critica a essa exaltação sem medidas ao esporte de alto rendimento. Essa preocupação também está presente em um outro livro, cujo autor é Henry A. Solomon, intitulado "o mito do exercício", que assim como o primeiro, não tem sua leitura estimulada, é claro que as razões são óbvias, já que mete o dedo na ferida de um grande negócio que é a prática dos exercícios físicos como promoção de saúde! Entre outras coisas, diz o autor: "o estímulo ao lucro, a sedução da moda e do status e a legitimidade da medicina que apóia esse estranho fenômeno dos exercícios físicos. Uma carroça tão grande, movida pelo lucro, que transporta uma população preocupada com a saúde que acredita que encontrou a resposta, recebeu um impulso enorme. A simples verdade pode não ser bastante para fazê-la parar, mas deve ser dita: você pode apreciar os exercícios. Eles podem ser úteis socialmente, talvez façam você se sentir e parecer melhor. Mas o resto é mito. Os exercícios físicos não vão torná-lo mais saudável. Não vão prolongar sua vida. Preparo físico e saúde não são a mesma coisa", quer saber qual a página? está na 17.
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Na realidade, há uma confusão generalizada referente aos dois fenômenos aqui sinalizados! Esporte e exercícios físicos têm semelhanças, mas não são a mesma coisa, embora ambos mistifiquem e confundam a população em geral e muitos dos que estão na Universidade em relação à questão da saúde. Solomon descortina de forma didática a questão quando diz que "saúde e preparo físico não são a mesma coisa", embora nas entrelinhas, o discurso subliminar afirme que sim. Quando se fala em atividade física e promoção da saúde não é isso que se está querendo afirmar?! A prática do esporte necessita que o sujeito tenha um preparo físico adequado para que possa, medianamente, suportar às pressões do jogo, mas isso tem um custo altíssimo. Há um estresse brutal cujas respostas são as "contusões" rotineiras que perseguem os atletas! Quiçá joelho e tornozelo sejam os que mais sofram com as "novas demandas" do esporte! Não conheço nenhum estudo, é possível haja, que tenha calculado quantos dias, durante o ano, os atletas profissionais conseguem estar em condições de jogo e em quantos estão tratando alguma lesão! O fato é que há neste labirinto uma apologia às práticas corporais, colocando-as como receita e remédio para tudo, basta deixar de ser sedentário para que possamos dizer que temos saúde e aqueles que não fazem nenhum tipo de exercício físico é logo visto como uma pessoa deslocada, não saudável! Esporte não é saúde, muito pelo contrário, e não dizer isso é perverso, esconder os perigos que rondam a prática do esporte é desumano. O mais estranho de tudo isso é que apesar do número de mortes que acometem àqueles que comungam com o "mexa-se", (nos tempos da ditadura militar havia o "esporte para todos", que aqui no Brasil foi denominado de MEXA-SE) os seus "apóstolos" não abrem o jogo esclarecendo que como tudo há os pós e os contras e que em muitos casos ao invés de o sujeito estar ganhando saúde fazendo os exercícios físicos, ele pode estar adoecendo, como no caso do esporte de alto rendimento, mas se isso for dito, talvez o canto das sereias desapareça estragando a garantia dos seus negócios espúrios...