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Neste ínterim, caiu em meu colo um exemplar da revista da companhia aérea. Nesta há uma pesquisa, realizada pelo Ibope e pelo Instituto Paulo Montenegro, sobre o hábito de leitura dos brasileiros. Não são nada animadores os percentuais apresentados! Apenas 55% de nós são leitores constantes, mas que apesar disso o número de livros lidos por habitante é de 4,7! Outro, dos números citados, sinaliza que pessoas que deixaram o banco das escolas lêem apenas 1,3 exemplar por ano! Entre os entrevistados, somente 21% costumam comprar livros e que esses indivíduos, os 21%, tendem a comprar 6 livros por ano! O argumento para essa quantidade tão pequena está relacionado com o valor dos livros! A média dos brasileiros é comprar, apenas, um livro por ano. Saber que 45% dos brasileiros não se mostram interessados em leitura deveria causar desconforto aos responsáveis pela implementação das políticas educionais! A pesquisa, no que se refere à questão do entendimento das idéias que compõem um texto longo, afirma que apenas 26%, com idade entre 15 e 64 anos, encontram-se em nível pleno de alfabetização! Mas os 38% que lêem, têm sua leitura focada em textos curtos e simples.
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Não sei até que ponto esses dados podem ser traduzidos sem problemas, ou se são compreensíveis à primeira vista! Temos aí a questão das fontes, sabemos que as formas como esses dados foram coletados não estão isentas de erros, não obstante é possível que haja também muitos acertos. Percentuais se não forem decodificados de forma cuidadosa podem gerar todo tipo de preconceito. Números são sempre muito frios! Todavia não resta dúvida que são percentuais que desestabilizam. Se 45% de brasileiros não se mostram interessados pela leitura, se os livros não fazem parte do cotidiano de um número significativo de brasileiros, é preciso repensar os cursos de formação de professores espalhados pelo país, por conseguinte, criticar as universidades que continuam despejando, a cada ano, um número imenso de educadores no mercado de trabalho, mas que não têm avaliado a qualidade dessa formação. Há que se pensar em alternativas que estimulem as pessoas a cultivar o prazer de ler! Se elas não conseguem entender o que está escrito como podem adquirir uma cultura rica e diversificada? Basta um rápido passar de olhos nestes dados, para se perceber que a política de formação de professores no Brasil desabou, é preciso que se construam outras possibilidades, para não sucumbirmos aos seus escombros...
